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Estampa de Putin em t-shirt de futebolista inflama tensões entre Rússia e Turquia

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UEFA deverá castigar Dmitri Tarasov, médio do Lokomotiv de Moscovo, por afirmação política em jogo contra o Fenerbahçe

STR / AFP / Getty Images

À chegada na noite desta terça-feira ao estádio Sukru Saracoglu, em Istambul, para o jogo da Liga Europa contra o Fenerbahçe, o autocarro que transportava os jogadores da equipa russa Lokomotiv Moscovo foi atingido por garrafas. As autoridades já antecipavam que algo do género acontecesse, não só por ser comum mas também, e sobretudo, por este ser o primeiro jogo de futebol entre uma equipa russa e uma turca desde que os dois países entraram numa fase de alta tensão política por causa do abate de um avião russo pelas forças de Ancara, em novembro passado.

Por causa do ataque ao autocarro, a polícia turca deteve três adeptos do Fenerbahçe, equipa onde jogam os internacionais portugueses Nani, Raul Meireles e Bruno Alves e treinada por Vítor Pereira, o antigo técnico do FC Porto. Mas foi o que aconteceu a seguir, já durante a partida, que gerou a ira dos turcos, dentro e fora do estádio.

Sem sequer marcar um golo (o Fenerbahçe ganhou 2-0), o médio da equipa moscovita Dmitri Tsarov decidiu, no final da partida, quando todos regressavam aos balneários, despir a camiosola para mostrar à multidão do estádio a t-shirt que escondia por baixo e personalizada com uma estampa da cara de Vladimir Putin, onde o Presidente russo aparece com uma boina verde e uma legenda: "O Presidente mais bem-educado".

Os turcos em maioria no estádio vaiaram o jogador, que no final da partida defendeu a sua ação. "É o meu presidente. Respeito-o e decidi mostrar que estou sempre com ele, preparado para lhe dar o meu apoio", disse Tsarov ao correspondente da agência russa R-Sport. "O que estava escrito na minha t-shirt é tudo o que tenho a dizer."

É provável que a UEFA, o organismo que regula o futebol europeu, vá ditar um castigo a Tsarov e ao Lokomotiv Moscovo, por proibir afirmações de carácter político em jogos de futebol. Na edição desta quarta-feira, o jornal turco "Yeni Safak", descreve o gesto do jogador russo como "uma provocação de Putin". A UEFA tem rejeitado sempre, desde o início da guerra diplomática entre a Rússia e a Turquia, separar equipas dos dois países em competições europeias, incluindo no Euro 2016.

A provocação do jogador do Lokomotiv acontece numa altura em que as tensões entre a Rússia e a Turquia continuam em crescendo por causa da guerra na Síria.