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Internacional

El Niño já deixou 100 milhões de pessoas sem acesso a comida e água

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A encíclica "Laudato Si" diz claramente: "O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos. A nível global, é um sistema complexo, que tem a ver com muitas condições essenciais para a vida humana"

NELSON ALMEIDA

Nações Unidas dizem que fenómeno metereológico extremo, que tem gerado ondas de calor e secas, cheias e incêndios florestais, deixou populações em África, na América Latina e na Ásia em risco de vida e mais vulneráveis a doenças como o vírus do zika

"Quase um milhão de crianças precisam urgentemente de tratamento para má-nutrição aguda no Leste e Sul de África. Dois anos de chuvas erráticas e seca extrema combinaram-se com um dos mais poderosos eventos El Niño dos últimos 50 anos, com um impacto nocivo nas vidas das crianças mais vulneráveis do mundo.

Os governos locais estão a dar resposta ao problema com os recursos disponíveis, mas esta é uma situação sem precedentes — que é agravada pela subida dos preços dos alimentos, o que força as famílias a desencadearem mecanismos drásticos [para sobreviver] como saltar refeições e vender todos os bens que possuem."

O alerta foi feito esta quarta-feira por Leila Gharagozloo-Pakkala, diretora regional da agência da ONU para as crianças, UNICEF, no Sul do continente africano. O milhão de crianças em risco de morrerem à fome, avançam várias agências das Nações Unidas, inclui-se nos quase 100 milhões de pessoas em África, no continente asiático e na América Latina que estão sem acesso a comida e a água por causa do fenómeno metereológico El Niño. A fragilidade destas populações, potenciada pelas secas extremas e cheias de enormes proporções nas três regiões, torna-as mais vulneráveis a doenças infetocontagiosas, como o vírus do zika, alerta ainda a organização.

Novos dados do Programa Alimentar Mundial da ONU apontam que, só no Zimbabwe, há 40 milhões de pessoas de áreas rurais e nove milhões de habitantes de centros urbanos afetados pelas condições extremas trazidas pelo El Niño, que começaram a ser sentidas em meados de 2015 e que vários especialistas consideram ser consequência direta do aquecimento global e das alterações climáticas.

A juntar a isto, cerca de 10 milhões de pessoas, o correspondente à população de Portugal, precisam urgentemente de comida na Etiópia, diz o gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), e 2,8 milhões necessitam de assistência humanitária na Guatemala e nas Honduras — havendo "muitos mais milhões" de pessoas das regiões da Ásia e Pacífico afetadas pelas ondas de calor, escassez de água e incêndios florestais.