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Internacional

China “deve preparar-se para guerra na Península da Coreia”

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Vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Zhang Yesui (à esquerda) com o homólogo chinês, Sung Nam

KIM MIN-HEE/EPA

Conselheiro militar de Pequim diz que regime tem de estar pronto para intervir na Coreia do Norte caso os aliados do Ocidente decidam agir em resposta ao teste de mísseis de Pyongyang. Mas acrescenta que não podem repetir-se os sacrifícios da última guerra da Coreia, que terminou com o armistício de 1953

Um conselheiro militar chinês alertou esta semana para os riscos de uma eventual guerra na Península Coreana, apoiando a aplicação de sanções à Coreia do Norte ao estilo das que a comunidade internacional já prometeu aplicar, e defendendo a destruição do arsenal nuclear de Pyongyang.

Num artigo de opinião publicado na edição desta terça-feira do "Global Times", um jornal com ligações ao Partido Comunista Chinês, o major-general Wang Haiyun avisa o seu governo de que "deve preparar-se o mais cedo possível, política e diplomaticamente, para enfrentar todos os potenciais riscos", aconselhando-o a colocar "mísseis avançados" no noroeste da Ásia perante a possibilidade de a Coreia do Sul avançar com o sistema antimísseis norte-americano THAAD. As recentes tensões dentro da Península Coreana levaram Seul a apoiar pela primeira vez a instalação desse sistema antimísseis no seu território.

"A China pode tomar como referência a reação da Rússia aos países do leste da Europa que instalaram o sistema antimísseis dos EUA", exemplifica o antigo adido militar em Moscovo, no artigo intitulado "A China deve-se preparar para o pior na Península Coreana". Pequim, defende o general, deve estar pronto para intervir na Coreia do Norte caso os EUA e seus aliados decidam reagir militarmente ao lançamento de um satélite por Pyongyang, que a comunidade internacional suspeita ter-se tratado de um teste de mísseis.

O major-general chinês diz ainda que apesar de o país ter de se preparar para uma eventual guerra na Península Coreana, não deve repetir os sacrifícios da última guerra da Coreia, que começou em 1950 e que terminou com o armistício de 1953. "Quando a guerra começar, a China não pode voltar a sacrificar a sua população por um regime inoportuno." Cerca de 180 mil soldados chineses foram mortos durante o apoio de Pequim a Pyongyang, na guerra contra a Coreia do Sul e a coligação liderada pelos Estados Unidos.

Em resposta ao lançamento do satélite pela Coreia do Norte, Seul proibiu esta quarta-feira qualquer intercâmbio civil com Pyongyang, incluindo o envio de ajuda humanitária para a população norte-coreana. Esta terça-feira, o vice-ministro chinês dos Negócios Estrangeiros prometeu apoiar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU — onde a China tem poder de veto — para punir Pyongyang pelo lançamento do rocket e do teste nuclear de janeiro. "Apoiamos uma resolução nova e forte", declarou Zhang Yesui.