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Primárias dos EUA. George W. Bush faz campanha na Carolina do Sul para salvar candidatura do irmão

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Spencer Platt

Depois de Donald Trump ser vaiado pela assistência no último debate republicano por criticar o legado do ex-Presidente norte-americano, W. junta-se a Jeb para o ajudar a conquistar votos na próxima etapa das primárias do partido

Foi a Carolina do Sul que em 2000 salvou George W. Bush e em última instância garantiu a sua nomeação e eleição nas presidenciais desse ano. Talvez por isso Jeb Bush, o irmão mais velho do ex-Presidente norte-americano, tenha esperado pelas primeiras duas votações do partido republicano — primeiro no caucus do Iowa, a 1 de fevereiro, logo a seguir nas primárias do New Hampshire, uma semana depois — para pedir ao irmão que se juntasse a ele em campanha, numa derradeira tentativa de salvar a sua candidatura à nomeação do partido.

A julgar pelos que assitiram ao último debate entre os candidatos republicanos — o primeiro desde que Jeb conseguiu ficar em quarto lugar, com 11% dos votos, empatado com o senador Marco Rubio, no New Hampshire — há a possibilidade de a jogada resultar a seu favor. Quando Donald Trump, o magnata de Nova Iorque que continua a liderar a corrida republicana, apontou o dedo a George W. Bush pelo “enorme erro” que foi invadir o Iraque, foram as pessoas que assistiam ao debate as primeiras a defender o irmão do atual candidato.

Às declarações de Trump de que “o 11 de Setembro aconteceu no reinado de George W. Bush” e que “a invasão do Iraque foi um enorme erro”, as pessoas na assistência vaiaram-no e deram força a Jeb, que veio em defesa do irmão e que acusou Trump de pavimentar com insultos o caminho para a nomeação. E já depois de o fantasma da política passada marcar presença nesse debate, George W. Bush materializou-se na campanha do irmão na noite de segunda-feira, madrugada desta terça em Portugal, encontrando-se primeiro com veteranos de guerra e logo a seguir dando a cara ao lado de Jeb num evento de campanha em North Charleston, na Carolina do Sul. Foram as primeiras aparições do ex-Presidente no próximo estado a votar o seu candidato republicano, no caucus do próximo sábado.

“Vim aqui por duas razões”, declarou o irmão mais novo do pré-candidato. “A primeira porque me preocupo profundamente com Jeb. A segunda porque me preocupo profundamente com o nosso país. Não precisamos de alguém na Sala Oval que que espelha e inflama a nossa frustração”, acrescentou sob fortes aplausos, numa clara reação às declarações inflamatórias de Trump.

Jeb precisa de todas as ajudas que consiga reunir antes dessa votação. Depois de “desaparecer” no processo de caucus do Iowa e de ficar fora do pódio no New Hampshire, o ex-governador da Florida que é o pré-candidato com o mais pesado legado político de entre todos os que concorrem à nomeação republicana precisa de garantir que sai melhor na fotografia na Carolina do Sul, sob pena de ter de assumir mais uma derrota e enfrentar a inevitabilidade de abandonar a corrida.

Neste momento, as últimas sondagens de intenção de voto para as próximas primárias republicanas continuam a antever mais uma vitória para Trump, ainda que uma maioria dos cidadãos consultados nos últimos inquéritos tenha declarado que foi Rubio quem saiu vitorioso do último debate. Do lado democrata, Bernie Sanders mantém uma ligeira vantagem sobre a rival, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Este sábado, enquanto os republicanos votam em caucuses na Carolina do Sul, os eleitores democratas do Nevada estarão em processo de seleção do seu candidato. Logo a seguir, a 23 de fevereiro, será a vez de os republicanos do Nevada escolherem o seu candidato, antes de os democratas irem à conquista da Carolina do Sul a 27 deste mês.