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Perante “crimes de guerra”, Assad põe em causa aplicação do cessar-fogo

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Os bombardeamentos tiveram como alvos um mercado e três edifícios no centro da cidade, afirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos

AMMAR ABDULLAH/REUTERS

Após ONU denunciar que pelo menos duas escolas e dois hospitais foram atingidos nos últimos dias no noroeste da Síria, França e Turquia falam em “crimes de guerra”. Rússia ainda não reagiu à acusação da Turquia, que responsabiliza as suas forças pelo ataque de segunda-feira a um hospital gerido pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF)

A França e a Turquia dizem que os bombardeamentos a hospitais e escolas do Norte da Síria correspondem a “crimes de guerra”, horas depois de um hospital dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) ter sido atingido num ataque aéreo que a Turquia atribui às forças russas que estão na região a apoiar por via aérea as tropas do regime de Bashar al-Assad.

Pelo menos 50 pessoas terão morrido nessa série de ataques a escolas e hospitais da região, garante a ONU, falando numa “sombra” sobre o cessar-fogo negociado nos palcos internacionais e que deveria começar a ser implementado esta semana. Fontes no terreno dizem que pelo menos duas escolas e dois hospitais foram atingidos por ataques aéreos, nomeadamente o hospital gerido pelos MSF em Maarat al-Numan, que ficou praticamente reduzido a pó. Moscovo continua sem reagir às acusações turcas de que foram as suas tropas russas a levar a cabo o bombardeamento ao hospital dos MSF na província de Idlib.

Os ataques acontecem numa altura em que a implementação do cessar-fogo negociado pela Rússia e o Ocidente na semana passada parece estar em risco de acontecer. Na noite de segunda-feira, o Presidente da Síria colocou pela primeira vez dúvidas sobre a aplicação dessa “cessação de hostilidades”, em declarações na televisão pública. “Para já eles querem um cessar-fogo dentro de uma semana. Mas quem é que é capaz de reunir as condições e garantias necessárias numa semana?”, questionou o líder do regime. Quase meio milhão de pessoas já morreram e mais de 11 milhões estão deslocadas dentro e fora da Síria desde o estalar da guerra civil em março de 2011.