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Método revolucionário recorre às células do paciente para combater o cancro

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Stefan Wermuth / Reuters

Tratamento abre uma janela de esperança depois de 90% de doentes terminais terem revertido o avanço do cancro. Investigadores alertam para a fase ainda precoce da descoberta e para a falibilidade do método

Alberto Conceição

Um método revolucionário no tratamento do cancro está a travar o alastramento da doença. O método consiste na remoção de células T - um tipo de glóbulos brancos - do sangue do doente, da sua modificação em laboratório e na sua reinserção na corrente sanguínea do paciente.

As notícias saíram da Associação Americana para os Avanços na Ciência (American Association for the Advancement for Science), um encontro anual de cientistas e que aconteceu segunda-feira em Washington DC. Embora os resultados iniciais sejam promissores, os investigadores falam ainda de “um passo de bebé”. A toxicidade é ainda uma realidade e dois pacientes morreram devido a uma resposta imunitária excessiva.

Este tratamento não só reforça o sistema imunitário recorrendo a defesas naturais do corpo para combater tumores, como atua de forma preventiva para o resto da vida, tendo assim o mesmo efeito que o de uma vacina. Os investigadores falam numa espécie de “medicamento vivo”, que fica desperto para o eventual regresso do cancro - combate-o instantaneamente.

Pacientes em fases avançadas de cancro, com uma expectativa inferior a cinco meses de vida, têm respondido bem ao tratamento e não mostram sinais de agravamento da doença ao fim de 18 meses. Esta é uma mudança paradigmática no tratamento do cancro, uma vez que este tratamento é em muitos casos a última alternativa de doentes com pouca esperança de vida.

Numa amostra de 35 pacientes com leucemia linfoblástica aguda, 90% dos indivíduos reverteram o avanço da doença. Num outro ensaio, que envolveu 40 doentes com linfoma não-Hodgkin ou leucemia linfocítica crónica, mais de 80% dos pacientes responderam positivamente ao tratamento.

O cientista responsável, Stanley Riddell, do Centro de Investigação para o Cancro Fred Hutchinson em Seattle, disse que todos os outros tratamentos em doentes terminais falharam. “Ainda temos um longo caminho pela frente. A resposta nem sempre é duradoura. Alguns dos pacientes têm recaídas, temos consciência disso. Mas estes são dados sem precedentes”, acrescenta Riddell.