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Espanha. 13 diretores da cadeia Vitaldent detidos por fraude fiscal

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Jornalistas aguardavam esta manhã, à entrada da sede da Vitaldent, em Las Rozas, arredores de Madrid, por novidades das autoridades policiais espanholas

VICTOR LERENA / EPA

Entre os detidos está o proprietário Ernesto Colman. O grupo, que mantém quase 400 clínicas dentárias no país, é acusado de branquear dinheiro, falsificar documentos e de ter enganado as Finanças e os seus franchisados. Fraude fiscal pode ser superior a 10 milhões de euros

Uma operação policial na comunidade de Madrid resultou na detenção do proprietário e de outros 12 gestores da cadeia de clínicas dentárias Vitaldent, por suspeita de fraude fiscal às Finanças e aos seus franchisados. Em causa estão mais de dez milhões de euros de alegada fuga ao fisco, tendo a ação da polícia sido precipitada pela desconfiança de que Ernesto Colman – o dono – estaria em vias de encerrar o negócio e abandonar o território espanhol.

A agência tributária e a Polícia investigavam a rede Vitaldent há mais de dois anos, diz o “El Mundo”, depois de a ex-mulher de Colman ter sido apanhada a transportar grandes quantidades de dinheiro que trazia da Suíça. Esse foi o ponto de partida que levou à descoberta de várias contas nesse país, em nome de Colman e com milhões de euros, dinheiro que era branqueado com a venda de cavalos puro-sangue.

O grupo é acusado de exigir avultadas somas, em dinheiro vivo, aos seus franchisados, dinheiro que era gerido através de um sistema de contabilidade paralela, do conhecimento do todos os diretores do grupo, assim como dos seus diretores financeiros. Entre as práticas que agora estão a ser investigadas consta ainda a falsificação de documentos, a sobreavaliação dos materiais usados nas clínicas e duvidosos investimentos imobiliários, acrescenta o jornal espanhol “ABC”.

Cadeia denunciada em 2015

Na operação Topolino foram também apreendidos um avião, avaliado em um milhão de euros, e 36 carros de luxo. No imediato, está previsto o bloqueio dos saldos de várias contas em 25 bancos.

Esta não é a primeira vez que o grupo, especializado em serviços odontológicos e a operar há mais de 20 anos em Espanha, onde mantém perto de 400 clínicas, se vê envolvido em suspeitas de ilegalidade.

Em 2015, a cadeia foi denunciada por fugir às suas responsabilidades, acusação feita por uma organização de defesa dos consumidores e que teve por base uma série de reclamações de franchisados.

O próprio Conselho Geral de Dentistas apoiou esta denúncia, sublinhando que “se está a pôr em risco a saúde da população com a crescente mercantilização do ato sanitário e com o aumento da publicidade sanitária inapropriada e enganosa”.

Negócio de sucesso

Ernesto Colman, um argentino que chegou a Espanha com 28 anos, começou a sua atividade profissional no país em 1989, fabricando acessórios para dentistas que vendia diretamente a várias clínicas.

Abriu depois um primeiro consultório na Gran Via, em Madrid, construindo o seu sucesso numa lógica de proximidade ao utente e preços acessíveis. Em pouco tempo começou a expandir-se, abrindo uma média de 50 novas clínicas anualmente, até piscar o olho a um mercado internacional, com uma incursão nos Estados Unidos.

Atualmente, a rede mantém 370 clínicas, das quais 231 são fraanchisadas. Segundo o “ABC”, nenhum dos centros médicos deverá encerrar, já que a investigação foi conduzida e posta em marcha de modo a salvaguardar eventuais prejuízos aos milhares de clientes destas clínicas.