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Dinheiro desviado da Petrobras pode financiar autárquicas no Brasil

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SERGIO MORAES

Ministro brasileiro alerta para o financiamento ilícito das campanhas eleitorais e anuncia a criação de serviços de informação para fiscalizar políticos e assegurar uma melhor prestação de contas. A operação Lava Jato, que investiga o desvio de fundos da Petrobras, mantém-se como preocupação principal das autoridades

Alberto Conceição

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, admitiu ontem em São Paulo que é possível que o dinheiro desviado da Petrobras sirba para financiar as campanhas eleitorais para as autáquicas este ano. O ministro participava num evento na sede da Federação das Indústrias quando alertou para “os escândalos todos que se acumulam, associados muitas vezes ao financiamento eleitoral”.

Depois de em 2015 ter sido aprovada pelo Congresso Nacional uma reforma política que proibiu a doação de empresas a campanhas, as atenções estão agora voltadas para as doações particulares. “Se de facto houve apropriação de recursos ilícitos em montantes muito significativos, pode ser que esses recursos venham para as eleições. Vamos ter doações de pessoas físicas. Pode ser que esses recursos sejam dados a essas pessoas para que façam a doação aos partidos políticos ou aos candidatos.”

Gilmar Mendes disse ainda que se “o partido do governo” recebeu um terço dos desvios da Petrobras – estimados em 4500 milhões de euros – poderá financiar as suas campanhas por muitos anos. “Se o Partido dos Trabalhadores gastou na campanha presidencial (de 2014, quando Dilma Rousseff foi reeleita) 360 milhões de reais - cerca de 80 milhões de euros -, tem dinheiro para campanhas até 2038”, concluiu.

A operação Lava Jato que investiga o desvio e lavagem de dinheiro da petrolífera estatal brasileira - que tem ramificações em Portugal - começou a ser investigado em março de 2014. Do esquema multimilionário fazem parte grandes construtoras, funcionários da Petrobras, operadores financeiros e agentes políticos.

“Vamos ter que criar um sistema de inteligência com a Receita Federal, com o Tribunal de Contas da União, com o Banco Central e com a Polícia Federal para que estejamos devidamente informados e não sejamos surpreendidos”, afirmou o ministro.

As eleições autárquicas no Brasil têm a primeira volta marcada para o dia 2 de outubro e a segunda volta para o dia 30 do mesmo mês.