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Estudante italiano assassinado no Egito sofreu morte “atroz”

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A morte de Giulio Regeni suscitou uma enorme onda de solidariedade, visível pelos muitos que quiseram assistir ao seu funeral e se manifestaram, exigindo uma investigação séria e imparcial

PETRUSSI DIEGO/GETTY IMAGES

Giulio Regeni sofreu choques elétricos nos genitais e uma hemorragia cerebral, revela a autópsia. Sinais que fazem aumentar as suspeitas quanto ao envolvimento da polícia egípcia no caso

Giulio Regeni, o estudante italiano encontrado morto nos arredores de Cairo no início de fevereiro, foi torturado até à morte. Os resultados parciais da autópsia revelam que Regeni sofreu choques elétricos no pénis, uma hemorragia cerebral e tinha sete costelas partidas. A polícia egípcia é a principal suspeita de o ter assassinado.

Ainda que o resultado definitivo do exame forense não tenha sido tornado público, fontes envolvidas na investigação da morte do italiano confirmaram à agência Reuters que o estudante, investigador da universidade britânica de Cambridge, sofreu uma morte “atroz”.

Giulio Regeni, de 28 anos, preparava no Cairo uma tese sobre o movimento sindical no Egito. No país desde setembro, desapareceu no dia 25 de janeiro e só nove dias depois o seu corpo foi encontrado, junto a uma estrada que liga o Cairo a Alexandria.

O ministério egípcio dos Negócios Estrangeiros nega qualquer implicação da policía neste caso. Os sinais de tortura e o lugar onde o corpo foi encontrado alimentam, no entanto, as suspeitas em relação ao envolvimento de agentes de segurança oficiais, cujo modus operandi tem vindo a ser largamente denunciado e condenado por organizações de defesa dos Direitos Humanos.

A morte de Regeni afetou as relações entre o Egito e Itália, principal investidor neste país árabe. O embaixador italiano no Cairo foi o próprio a denunciar que, durante dias, a polícia nada fez para encontrar o jovem, situação que só foi desbloqueada após um contacto direto com o Presidente egípcio.