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Debate de investidura do novo Governo espanhol será a 2 de março

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ANDER GILLENEA/GETTY IMAGES

Líder socialista Pedro Sánchez tentará obter votos suficientes para ser primeiro-ministro dentro de três semanas. Em quase dois meses de conversações ainda não há maioria de Governo

É dentro de três semanas e um dia, na quarta-feira, 2 de março, que Pedro Sánchez, secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, social-democrata), vai tentar ser empossado como primeiro-ministro pelo Congresso dos Deputados. Esta manhã Sánchez encontrou-se com o presidente do Congresso, o também socialista Patxi López, para marcarem a data. O debate durará dois dias, pelo que a primeira votação (que exige maioria absoluta) se realizará na quinta-feira, 3 de março. Caso não seja conclusiva, será repetida passadas 48 horas, exigindo-se então apenas maioria simples.

Sánchez confia que estará em condições de obter o apoio da câmara baixa do Parlamento espanhol para liderar um Executivo resultante da relação de forças gerada pelas legislativas de 20 de dezembro. As eleições foram ganhas pelo Partido Popular (PP, centro-direita) mas o líder dessa força, Mariano Rajoy, rejeitou por duas vezes o convite do rei Filipe VI para se submeter à votação dos deputados. O ainda primeiro-ministro, no cargo desde 2011, previu – com base nas conversações tidas com os demais partidos representados no Parlamento – que o seu nome iria ser chumbado.

À segunda recusa de Rajoy, Filipe VI encarregou Sánchez, líder do segundo partido mais votado, de tentar formar Governo. Até à data as conversações têm sido inconclusivas. Na última sexta-feira, um encontro entre Rajoy e Sánchez durou menos de 25 minutos e começou com o líder conservador a recusar-se a apertar a mão ao socialista, o que indica que será difícil qualquer novo Executivo ser viabilizado por estes dois partidos. Ainda assim, Albert Rivera, líder do partido liberal conservador Cidadãos (C's uma estrela das legislativas, tendo ficado em quarto lugar) espera conseguir pelo menos a abstenção do PP numa eventual investidura de Sánchez com o apoio dos C's. São as três forças políticas que mais defendem a atual Constituição e a unidade de Espanha, ameaçada pela deriva separatista catalã.

Aritmética complicada

A alternativa, também explorada por Sánchez, seria uma aliança de esquerda, com o emergente Podemos (P's, esquerda) e a Esquerda Unida. O problema é que, ao contrário de uma tríplice aliança centrista, um acordo de esquerda não soma maioria no atual Congresso dos Deputados, muito fragmentado (13 partidos obtiveram assentos). O dilema aritmético podia resolver-se com a junção de partidos regionalistas a esse pacto, mas os maiores – a Esquerda Republicana da Catalunha, a também catalã Democracia e Liberdade e o Partido Nacionalista Basco – são independentistas e exigem (ultimamente, mais os catalães do que os bascos) um referendo de autodeterminação. O que contraria tudo o que defendem o PSOE e os seus poderosos dirigentes regionais no resto de Espanha.

Acresce que o P's e o seu líder, Pablo Iglesias, assumiram uma postura exigente e pouco flexível nas conversações com Sánchez. Iglesias reclamou para si o cargo de vice-primeiro-ministro e cinco pastas ministeriais para o partido, algo que o PSOE jamais aceitaria. Sánchez gostaria de se aliar ao P's e ao C's, os novos partidos, numa aliança progressista que revisse a Constituição. Mas cada um destes dois putativos aliados tem dito que não participa em qualquer pacto que inclua o outro.

As negociações vão continuar, com Rajoy enfraquecido pela recente onda de buscas a sedes do PP por suspeitas de corrupção. Dentro de três semanas, os espanhóis saberão se, mais de dois meses depois de terem votado, o país volta a ter Governo.