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Investigadores argentinos associam larvicida a casos de microcefalia no Brasil

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Mario Tama/GettyImages

Relatório publicado esta semana conclui que “não é coincidência” que os casos registados tenham sido diagnosticados em recém-nascidos de grávidas que moram em locais onde o químico Pyriproxyfen foi usado. O fabricante do produto e o ministério da Saúde brasileiro sublinham que suspeita lançada não tem qualquer base científica

Ao invés do zika, um relatório de um grupo de investigadores médicos argentinos, divulgado esta semana, associa o químico conhecido como Pyriproxyfen aos casos de microcefalia registados no Brasil, sublinhando - entre outros aspectos - a ausência de casos de malformações em recém-nascidos noutros países com epidemias do vírus. O fabricante contesta e insiste que não há qualquer evidência científica que o ateste.

O larvicida é produzido pela Sumitomo Chemical e recomendado pelo Ministério da Saúde brasileiro. Tem sido usado para combater o Aedes aegypti, sendo aplicado em tanques de água potável desde 2014, sobretudo “em regiões com saneamento básico carente, como no Nordeste, região de maior incidência de microcefalia”, como lembra o “Diário de Pernambuco”.

O jornal refere ainda que o Pyriproxyfen passou a ser utilizado depois de o larvicida anterior, o Temephos, se ter mostrado ineficaz contra o mosquito transmissor do vírus zika.

Para os investigadores responsáveis pelo relatório - que não assenta em nenhum estudo científico - “não é coincidência” que os casos de microcefalia tenham sido diagnosticados em recém-nascidos de grávidas que moram em locais onde o Pyriproxyfen foi usado. E lembram, por oposição, que na Colômbia - o segundo país com maior número de infetados e três mil grávidas contaminadas [são agora já mais de cinco mil] - não há registo de nenhum bebé com microcefalia associado ao zika.

Químico aprovado pela Organização Mundial de Saúde

O fabricante do larvicida já veio porém constestar a suspeita lançada. Numa nota emitida no sábado, a Sumitomo Chemical defende que “não há nenhuma base científica” para a afirmação e recorda que o produto “está registado desde 2004” e foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso em campanhas de saúde pública e pela própria Organização Mundial de Saúde (OMS)

A nota cita mesmo um documento da OMS - “Pyriproxyfen in Drinking-water” - onde é dito que o químico “não é mutagénico, não é genotóxico, não é carcinogénico nem teratogénico”, tendo sido submetido a “rigorosos testes toxicológicos”.

Também o ministro da Saúde brasileiro, Marcelo Castro, citado pela “Folha de S. Paulo” pôs de lado a eventual relação entre o químico e a microcefalia, afirmação que classificou como um mero “boato”.

“Ao contrário da relação entre o vírus zika e a microcefalia, que já teve a sua confirmação atestada em exames que apontaram a apresença do vírus em amostras de sangue, tecidos e no líquido amniótico, a associação entre o uso de Pyriproxyfen e a microcefalia não possui nenhuma base científica”, diz um comunicado emitido pelo ministério.

Ainda assim, o governo de Rio Grande do Sul decidiu suspender temporariamente o uso do larvicida em questão, que é “utilizado em pequena escala”, sublinham as autoridades locais, até que o ministério da Saúde emita um parecer sobre o que deve ser feito.

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    O vírus que está a sobressaltar as autoridades sanitárias e a preocupar de forma muito particular o Brasil - mas agora o mundo inteiro - tem nome de selva do Uganda e é ainda, em muitos aspetos, um desconhecido. Sintomas e sinais clínicos da doença incluem “febre, erupções cutâneas, dores nas articulações, conjuntivite, dores de cabeça e musculares”. E “há suspeitas (ainda não inteiramente comprovadas) de que a doença possa provocar alterações fetais durante a gravidez, em particular microcefalia” - que é a situação que mais preocupa as autoridades. A Organização Mundial de Saúde reúne-se de emergência na segunda-feira e já disse que o vírus está a propagar-se de “forma explosiva”. Este é um guia de perguntas e respostas