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Espanha: Não há solução ‘à Costa’

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Getty

Quase dois meses depois da ida às urnas, ainda não há Governo. O caso é mais difícil e fragmentado do que o português

Ninguém tinha expectativas em relação à reunião de ontem entre os líderes do Partido Popular (PP, centro-direita) e do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, social-democrata). Mas que o ainda primeiro-ministro Mariano Rajoy se recusasse a apertar a mão ao indigitado Pedro Sánchez surpreendeu toda a gente. A reunião, no Congresso dos Deputados, acabou por durar menos de 25 minutos. Dali não saiu novo Governo.

As legislativas foram a 20 de dezembro. Rajoy venceu sem maioria e, tendo falhado qualquer acordo, rejeitou tentar uma investidura condenada a falhar. Eis uma de várias diferenças entre Espanha e Portugal, onde Passos Coelho se prestou a liderar um Executivo efémero.

Se a esquerda é maioritária no Parlamento luso, o espanhol é mais fragmentado (tem 13 partidos, por cá são 7). E ao eixo esquerda/direita somam-se os eixos unionismo/regionalismo (há vários partidos locais, mormente nacionalistas catalães e bascos) e partidos clássicos/partidos emergentes, estes últimos representados por Podemos (esquerda) e Cidadãos (centro-direita). Cada um rejeita pactos que incluam o outro e o Podemos fez exigências (cinco ministros e uma vice-presidência do Governo, referendo à independência catalã) que o PSOE logo recusou.

Albert Rivera, líder do Cidadãos, tenta mediar entre PSOE e PP para um acordo a três que reforce a unidade de Espanha e reforme a política. Rajoy teria de partir: o Cidadãos rejeita um homem acossado pela corrupção. Ainda esta semana, o PP foi alvo de buscas em Valência e Madrid, tendo sido interrogada Esperanza Aguirre, ex-presidente da região da capital.

Numa coisa os três partidos concordam, e também nisso se distingue o caso espanhol do português: há que negociar com Bruxelas para adiar para 2017 o cumprimento das metas orçamentais.