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Encontro histórico entre Francisco e Kirill: “Finalmente! Nós somos irmãos”

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GREGORIO BORGIA/AFP/Getty Images

Num novo passo de aproximação entre a Igreja Católica e Ortodoxa, dividida desde 1054, o Papa Francisco e o Patriarca Kirill encontraram-se em Cuba (antes da visita de Francisco ao México) e acordaram unir forças para proteger os cristãos vítimas de perseguição em África e no Médio Oriente

Numa sala do aeroporto de Havana, o Papa Francisco e o Patriarca da Igreja ortodoxa Kirill abraçam-se e cumprimentam-se com três beijos no rosto. “Finalmente!”, exclamou Francisco, vestido de branco. “Nós somos irmãos.” Kirill, com um chapéu comprido de cerimónia e roupa preta, responde-lhe: “Agora as coisas estão mais fáceis.”

Com estes gestos e palavras - mediadas por tradutores - o líder da Igreja Católica e o homólogo da Igreja Ortodoxa russa procuram colocar assim um ponto final ao cisma que divide os ramos ocidental e oriental do cristianismo desde 1054, data em que o Papa Leão IX e o patriarca de Constantinopla Miguel Cerulario trocaram excomunhões, levantadas em 1965. Este é, pelo menos um passo nesse sentido, ao ser o primeiro encontro entre os líderes da Igreja Católica e Ortodoxa russa, realizado esta sexta-feira.

Em 2014, Francisco já se tinha deslocado à Turquia para uma oração ecuménica em Istambul com o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I.

Numa declaração conjunta após o encontro, os dois líderes religiosos mostram-se preparados para tomar as medidas necessárias para superar as diferenças históricas. E olharam também para a temas delicados como a situação na Ucrânia (Kirill é o líder espiritual de Vladimir Putin), perseguição dos cristãos pelos jiadistas islâmicos em África e no Médio Oriente.

“Em muitos países dos Médio Oriente e do Norte de África famílias inteiras de irmãos e irmãs em Cristo estão a ser exterminadas, cidades e vilas inteiras”, afirmaram em declaração conjunta, citada pela “Reuters”. “As suas Igrejas estão a ser devastadas e pilhadas, os seus objetos sagrados profanados, os monumentos destruídos.”

Música mariachi e multidões de fiéis

EDGARD GARRIDO / REUTERS

Ainda no mesmo dia, Francisco chegou ao México. Recebido com música mariachi e pelo Presidente Enrique Peña Nieto no aeroporto, o papal seguiu no 'papamóvel' para acenar às multidões que já o esperavam nas ruas do segundo maior país católico do mundo, depois do Brasil.

“Francisco, irmão do povo mexicano”, podia ouvir-se nas ruas. Cerca de 300 mil pessoas esperavam o líder da Igreja Católica nas ruas, adianta a agência Lusa.

O Bispo de Roma começava assim a sua viagem de cinco dias por várias regiões do país, onde se espera que aborde os problemas vividos no México e visite áreas de pobreza, violência e tráfico de drogas, bem como famílias, jovens, religioso e autoridades do país. O Papa irá estar também com o povo indígena de Chiapas e com os imigrantes da Ciudad de Juárez, junto à fronteira com os Estados Unidos.

  • Não é submissão nem absorção

    Desde que chegou ao Vaticano, Francisco já realizou seis viagens fora de Itália. Em quase todas, procurou erguer pontes entre realidades diferentes: chegou estrangeiro e saiu amigo. Durante os próximos dias, o Expresso conta a história de um número - hoje é 6.