Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Reino Unido acusa China de violar tratado bilateral no caso dos livreiros desaparecidos de Hong Kong

  • 333

PHILIPPE LOPEZ/Getty Images

É a mais dura atitude de Londres desde a assinatura do tratado sino-britânico em 1984

O Reino Unido acusou esta sexta-feira a China de "violar seriamente" o tratado que os dois países assinaram há 32 anos, ao "remover" de Hong Kong, involutariamente e sem qualquer processo legal", o cidadão britânico Lee Bo, um dos cinco livreiros que desapareceram nos últimos meses da região especial administrativa chinesa. A BBC fala na mais dura reação das autoridades britânicas desde que o caso foi denunciado nos media internacionais.

Em causa está a Declaração Conjunta Sino-Britânica, que Londes e Pequim assinaram em 1984, quando o Reino Unido aceitou entregar a região de Hong Kong às autoridades chinesas em troca de garantias de que as liberdades dos habitantes seriam respeitadas. Antes destas declarações, o Reino Unido já tinha demonstrado preocupação pelo desaparecimento dos livreiros ligados à Mighty Current, uma editora cujo catálogo inclui vários livros críticos do regime chinês e de vários dos seus líderes, e à Causeway Bay Books, responsável pela venda desses livros.

Segundo um escritor chinês a viver nos EUA, que publica sob o pseudónimo Xi Nuo, as editoras preparavam-se para publicar "Xi Jinping e seus amantes", um livro crítico do atual Presidente chinês, o que terá motivado as detenções dos livreiros. "Os factos deste caso continuam por apurar, mas a atual informação que possuímos indica que o sr. Lee foi involutariamente retirado para a China continental sem qualquer processo que respeitasse a lei de Hong Kong", declarou esta manhã Philip Hammond, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros.

À BBC, uma porta-voz do mesmo ministério confirmou que esta é a primeira vez que Pequim comete uma "séria violação" do tratado de 1984.