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Fechar fronteiras para impedir entrada de refugiados custaria €18 mil milhões por ano à UE

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ARMEND NIMANI/AFP/Getty Images

Num relatório sobre políticas migratórias e de asilo, a Comissão Europeia diz que reintroduzir controlos de fronteiras dentro do espaço Schengen teria um impacto negativo direto nos sectores do Turismo e Transportes, nos preços dos bens de consumo e no mercado laboral comum

Reintroduzir controlos sistemáticos nas fronteiras dentro do espaço Schengen para travar a entrada de refugiados na União Europeia teria custos exorbitantes para o bloco dos 28, o mercado único europeu e até para o euro. A garantia é da própria Comissão Europeia, que esta semana divulgou em relatório que o fim da livre circulação de pessoas e bens na UE custaria entre 5 e 18 mil milhões de euros por ano ao bloco. Isto apenas com custos diretos e com pior impacto nos sectores do Turismo e dos Transportes, nos preços dos bens de consumo e no mercado laboral comum.

"Se um processo desta envergadura for posto em prática", refere o executivo da UE, "isso irá pôr em risco a profundidade da nossa integração económica, incluindo o funcionamento correto da nossa união monetária e económica, e os custos indiretos a médio prazo poderão ser muito maiores do que as estimativas diretas", para já concentradas sobretudo nos transportes terrestres, na administração pública e nos cerca de 1% de habitantes da União com nacionalidade de um país a viver e a trabalhar noutro. "A livre circulação de bens dentro da UE representa um valor superior a 2,8 biliões de euros", é ainda referido no relatório. "As estimativas sugerem que a reintrodução sistemática de controlos de fronteiras no longo prazo, por oposição ao limite máximo de dois anos que Bruxelas propôs, poderá custar entre cinco a 18 mil milhões, só em custos diretos.”

Depois de em 2015 cerca de um milhão de refugiados terem entrado no espaço Schengen, na sua maoiria fugidos de guerras e conflitos no Médio Oriente e em África, seis países reintroduziram controlos nas fronteiras, incluindo a Alemanha, a Áustria e a Hungria, que em setembro do ano passado concluiu a construção de muros patrulhados por militares nas fronteiras com a Sérvia, a Croácia e a Roménia.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, tinha dito em janeiro que o facto de seis países terem reintroduzido controlos fronteiriços num espaço que era livre desde 1995 já custou três mil milhões de euros às empresas europeias de transporte terrestre — acrescentando, na altura, que "acabar com Schengen é destruir o euro". Num estudo semelhante ao que a Comissão apresentou na quarta-feira, o think tank France Strategie tinha avançado no início deste ano que abolir Schengen custaria 110 mil milhões de euros até 2025.

Embora apresente dados concretos contra a abolição de Schengen, o executivo europeu continua a deixar avisos aos países das fronteiras externas, particularmente à Grécia, para que controlem melhor o fluxo de centenas de milhares de pessoas que buscam refúgio na Europa. A revisão das políticas de migração e asilo da UE vai estar na agenda do Conselho Europeu na cimeira que acontece na próxima semana em Bruxelas.