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Em primeiro debate desde as primárias do New Hampshire, Clinton joga as fichas todas em Obama

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MIKE SEGAR / REUTERS

Duramente derrotada por Bernie Sanders na segunda etapa da corrida à nomeação democrata, a ex-secretária de Estado não gostou das críticas do rival ao Presidente e apontou ainda a mira às propostas do senador do Vermont para o sector da saúde

"O tipo de criticismo que ouço do senador Sanders é o criticismo que eu espero dos republicanos". Foi esta a manobra algo desesperada de Hillary Clinton no primeiro debate com o único rival na corrida democrata para as presidenciais de novembro desde que Bernie Sanders a derrotou com estrondo — leia-se, mais 22% de votos — nas primárias do New Hampshire, após um quase empate no caucus do Iowa.

Manobra desesperada mas provavelmente frutífera, se se considerar que os próximos dois estados a escolherem os seus candidatos são os primeiros verdadeiramente diversificados a irem às urnas. Depois de o Iowa e o New Hampshire, estados de maioria branca, terem inaugurado a longa corrida até à nomeação do democrata e republicano que disputarão a Casa Branca, é a vez do Nevada e da Carolina do Sul escolherem quem querem que substitua Barack Obama. São dois estados onde as minorias estão bem representadas e é entre latinos e afro-americanos que o alvo do dito "criticismo republicano" de Sanders, o atual Presidente, é rei.

A julgar pelas mais recentes sondagens de intenção de voto, se Obama é o rei a sua ex-secretária de Estado e aspirante a sucessora é a rainha. De acordo com um inquérito de opinião conjunto da CBS News, Wall Street Journal e Marist, Hillary tem neste momento uma vantagem significativa sobre Sanders, na ordem dos 64% contra 27% na Carolina do Sul — onde os democratas se batem por votos já a 27 de fevereiro, sete dias depois do caucus do partido no estado do Nevada.

A candidata do sistema sabe que Obama é o seu melhor trunfo para conquistar o Sul e, por isso, concentrou grande parte da sua energia no debate desta madrugada (hora portuguesa) a atacar Sanders por criticar o primeiro Presidente negro da história dos EUA. Sanders respondeu: "Um de nós competiu com Obama [em primárias]. Eu não fui esse candidato."

Daí, a acesa discussão seguiu para a saúde e Obama voltou a pairar sobre as cabeças dos candidatos, ou não desse ele nome ao programa de cuidados de saúde universais que conseguiu implementar desde 2008, depois de muitas lutas com os republicanos. Aqui, Clinton voltou a sublinhar que o pragmatismo que a caracteriza e que falta ao socialista Sanders é traço essencial e incontornável do próximo Presidente norte-americano. “Com base em todas as análises que consegui encontrar, elaboradas por pessoas com simpatia pelo objetivo, os números não batem certo e muitas pessoas vão ficar numa situação pior do que estão agora”, disse a pré-candidata sobre as promessas de Sanders de criar um sistema de pagamento único dentro do Obamacare para, nas palavras do senador do Vermont, poupar dinheiro aos contribuintes.

Horas antes do debate realizado na universidade do Wisconsin-Milwaukee — onde o único consenso foi que os democratas "têm de fazer frente aos Trumps do mundo", nas palavras de Sanders — o comité de ação política Congressional Black Caucus, composto pela maioria dos senadores e representantes negros do Congresso, pôs o seu peso atrás de Hillary Clinton, reforçando as probabilidades de a antiga primeira dama confirmar importantes vitórias nas duas próximas etapas antes da Super Tuesday a 1 de março.