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ABC da Palestina: território não existe “porque não há letra P em árabe”

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GALI TIBBON / Getty Images

A declaração é de Anat Berko, deputada conservadora do partido do atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

“Quero regressar à história. Qual é realmente o nosso lugar aqui, quanto a Jerusalém, quanto à Palestina? Como já dissemos, nem sequer existe uma letra P em árabe, portanto este termo que pedimos emprestado também merece ser escrutinado.” Assim declarou na noite de quarta-feira Anat Berko, deputada conservadora do Likud, o partido do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Durante os seus minutos de antena no debate do Knesset, o parlamento israelita, Berko simplificou desta forma a ocupação da Judeia e da Samaria, os termos do Antigo Testamento que a generalidade dos israelitas ainda utiliza para se referir à Cisjordânia — excluindo Jerusalém Oriental, que também integra a margem ocidental do rio Jordão e que continua sob ocupação israelita desde a guerra israelo-árabe (1948-49), e a Faixa de Gaza, que vive sob bloqueio e em guerra constante desde que Israel retirou tropas e colonos do território em 2005.

Incrédula, uma deputada da oposição questionou a conservadora sobre se estava a falar a sério, e sob fortes apupos da bancada oposta, Berko respondeu a rir: “Não existe P, não há Pa, Pa, Pa… Mas existe Fa”, condescendeu.

De facto, a letra P não existe no abecedário árabe. Na linguagem corrente, a letra B costuma fazer as vezes do P - e Palestina, como a maioria dos ocidentais a conhece, é Falastinia para os árabes. Refere o "New York Times" que o árabe escrito contemporâneo já tem uma letra P, representada por três pontos, que foi acrescentada ao alfabeto para acomodar palavras estrangeiras da era contemporânea, como Pepsi. Mas, refere o diário, "é raro encontrar um árabe que consiga pronunciar a letra P; a Pepsi é conhecida como 'Bebsi' por todo o Médio Oriente".

No meio da fúria que brotou nas redes sociais desde que as declarações de Berko foram tornadas públicas, um utilizador de Twitter ponderou sobre a teoria da deputada israelita e pariu uma outra: “Se a Palestina e os palestinianos não existem porque não existe letra P em árabe, então suponho que os judeus não existam porque não existe letra J em hebraico”.