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À frente das câmaras não te aperto a mão (o caso que está a agitar a política espanhola)

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Se dúvidas houvesse sobre quão improvável será PP e PSOE, juntamente com os Ciudadanos, formarem uma grande coligação de governo em Espanha bastaria ver o incómodo dos seus líderes em público. Assim foi esta sexta-feira de tarde em Madrid. Nem se cumprimentaram. E isso é que foi notícia

É a imagem do dia em Espanha. Dois altos responsáveis políticos, que ambicionam a chefia do governo, visivelmente incomodados por estarem na presença um do outro. Nem um aperto de mão trocaram. Pedro Sánchez, secretário-geral dos socialistas espanhóis (PSOE), ainda tentou mas o ainda primeiro-ministro, Mariano Rajoy, líder do Partido Popular (PP), não correspondeu.

Lá como cá, os socialistas perderam as legislativas de 20 dezembro (90 deputados), mas acreditam que estão em melhores condições do que os Populares (123 deputados) para formar governo. E de um encontro que poderia lançar as bases de um governo suportado por uma grande coligação e terminar com um impasse que dura há semanas, a notícia está nas mãos furtivas. O PP diz que continua disponível para formar um executivo juntamente com os socialistas, mas estes querem chegar ao poder de braço dado com os Ciudadanos e tudo o que pretendem do partido de Rajoy é que se abstenha viabilizando a mudança.

“Vamos continuar a trabalhar para que o PSOE facilite um governo do PP, porque temos mais deputados e fomos o partido mais votado”, disse Mariano Rajoy aos jornalistas no final do encontro de 30 minutos, em Madrid.

Já Pedro Sánchez considerou a reunião “útil” e que era bom que os espanhóis vissem que “há diálogo” entre os dois maiores partidos. Mas recusou uma grande coligação liderada pelo PP. “Deixei clara o compromisso do PSOE de levar avante uma dupla mudança: mudar as políticas do PP e Rajoy”, disse o secretário-geral dos socialistas.

Questionados sobre o aperto de mão que não trocaram, Rajoy disse apenas que não teria qualquer problema em “dar-lhe a mão agora à saída”, enquanto Sánchez pediu aos jornalistas para desvalorizarem a situação (dizendo que Rajoy não o teria visto de mão estendida), até porque se tinham cumprimentado quando já estavam reunidos em privado.

E o combate político seguiu, momentos depois, no Twitter, com os socialistas a julgarem o carácter de Rajoy e os populares a vir em socorro do líder, exigindo a reposição da verdade.