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Remodelação governamental iminente em França

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CHRISTOPHE PETIT TESSON / EPA

François Hollande tenta formar Governo de “reconciliação da esquerda” que lhe permita recandidatar-se à Presidência da República

Com o grupo parlamentar socialista fortemente dividido devido ao facto de dezenas de deputados contestarem abertamente as “políticas liberais” do governo de Manuel Valls e também o projeto de revisão constitucional sobre a perda da nacionalidade para os franceses envolvidos em terrorismo e crimes graves, o Presidente francês François Hollande joga forte esta quinta-feira quando anunciar uma remodelação governamental.

A ideia é conseguir formar um governo “de reconciliação” envolvendo socialistas e ecologistas – o que parece complicado. As negociações de bastidores, dirigidas pela presidência, decorrem desde há vários dias e algumas personalidades sonantes que foram convidadas para o novo executivo, como o conhecido ecologista Nicolas Hulot ou a antiga chefe do PS Martine Aubry, responderam com um “não” perentório.

Hollande está muito fragilizado porque o atual governo liderado por Manuel Valls não conta com nenhum representante da ala esquerda do PS, depois da recente saída de Christiane Taubira da pasta de ministra da Justiça.

Para já, a única confirmação é a saída de Laurent Fabius da chefia do Ministério dos Negócios Estrangeiros para ir presidir ao Tribunal Constitucional.

Ségolène Royal, antiga companheira do Presidente e mãe dos seus quatro filhos poderá passar da Ecologia para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, e Jean-Marc Ayrault, antigo primeiro-ministro, poderá regressar ao governo, dizendo-se que também ele deseja ser sucessor de Fabius.

Para se tentar reconciliar com os ecologistas, François Hollande poderá convidar também alguns deles para o executivo. Mas “Os Verdes” estão muito divididos e boa parte contesta as políticas do governo, ao lado dos socialistas “de esquerda”, na Assembleia e no Senado.

As eleições presidenciais decorrem na primavera do próximo ano e as mais recentes sondagens indicam que François Hollande poderá nem sequer qualificar-se para a segunda volta, ficando atrás de Alain Juppé e de Nicolas Sarkozy, que disputam a candidatura à direita, e de Marine le Pen, líder dos nacionalistas da Frente Nacional, que é dada em primeiro lugar na primeira volta.

O chefe de Estado dará esta noite uma longa entrevista em simultâneo nos dois principais canais da TV francesa.