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EUA. Justiça leva Ferguson a tribunal por “padrão de violações”

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JEWEL SAMAD/ GETTY IMAGES

Decisão surge um dia depois de a cidade norte-americana onde Michael Brown foi abatido pela polícia ter recusado implementar reforma proposta pelas autoridades federais para combater racismo endémico e violações constitucionais denunciadas há 11 meses

O Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos abriu um processo judicial de direitos civis contra Ferguson e as suas autoridades, um dia depois de o conselho municipal da cidade do estado do Missouri ter rejeitado as reformas propostas pelas autoridades federais para eliminar os "padrões de violações constitucionais" cometidas pelo departamento da polícia e pelo tribunal municipal — inicialmente denunciados nas ruas pela população em fúria após o jovem negro de 17 anos, Michael Brown, ter sido abatido a tiro por um agente da polícia branco quando estava desarmado, a 9 de agosto de 2014.

A notícia foi avançada esta madrugada, hora portuguesa, pelo "Huffington Post", que cita a procuradora-geral dos Estados Unidos Loretta Lynch, dizendo que as autoridades da cidade, e em particular o voto contra dos seis membros do conselho municipal de Ferguson, não lhe deixaram alternativa senão levá-los a tribunal.

O acordo apresentado pelo DoJ, com o objetivo de se alterar profundamente um departamento de polícia maioritariamente branco e racista, surge 11 meses depois de a divisão de direitos civis do departamento ter publicado um relatório onde tece acusações duras às autoridades de Ferguson e denuncia uma rotina de xenofobia e abusos. Nesse documento, investigadores do DoJ chegam a referir que a polícia maioritariamente branca "caçava cidadãos negros que vê como membros menores da comunidade, com menos direito a proteção do que os potenciais infratores".

A par desse relatório, o mesmo departamento divulgou ainda uma série de emails incriminatórios e embaraçosos para a polícia e o conselho municipal, onde membros dessas autoridades classificam o Presidente norte-americano Barak Obama — o primeiro negro a liderar os EUA — como "chimpanzé" e onde dizem que os cidadãos afro-americanos "não fazem ideia de quem são os seus papás".

No processo judicial de 60 páginas, apresentado esta quarta-feira à noite em Washington, o DoJ refere alguns nomes de agentes do subúrbio de St. Louis que estiveram envolvidos em "atividades inconstitucionais", entre eles Thomas Jackson, o ex-chefe da polícia de Ferguson que se demitiu por causa de declarações racistas, e Darren Wilson, o agente branco que não foi sequer indiciado por abater Michael Brown.

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