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Presidente turco acusa EUA de provocarem “rio de sangue” na Síria

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JOSE JACOME / EPA

Erdogan teceu duras críticas ao apoio americano às milícias curdas na Síria. Ao contrários do presidente turco, Washington não considera os seus aliados uma organização terrorista

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, criticou hoje o apoio militar dos Estados Unidos às milícias curdas na Síria e assegurou que a política de alianças regionais de Washington provocou "um rio de sangue".

Erdogan criticou a política de Washington numa reunião com representantes locais em Ancara, após um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA ter referido que não considera o Partido da União Democrática (PYD, a formação dos curdos da Síria, uma organização terrorista.

"América! Há alguma diferença entre o PYD e o PKK [Partidos dos Trabalhadores do Curdistão, a guerrilha curda da Turquia considerada terrorista pelos EUA]? Dissemos-vos que é uma organização terrorista", declarou Erdogan.

E acrescentou: "América! E dissemo-lo muitas vezes. Estais connosco ou com as organizações terroristas PYD e YPG [Unidades de Proteção do Povo, o braço armado do PYD]?".

"Não têm de nos explicar quem são o PKK, o PYD ou o YPG. Conhecemo-los muito bem. Também conhecemos muito bem o Daesh [acrónimo árabe do grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI)]. Mas vós não os haveis conhecido até agora. Por isso a região é um rio de sangue", criticou o Presidente turco.

Os Estados Unidos têm fornecido apoio aéreo às milícias curdas da Síria e considera-as as forças terrestres mais eficazes nesse país contra os 'jihadistas' do EI.

A cooperação entre Washington e as milícias curdas da Síria provocou tensões diplomáticas com a Turquia, que considera o PYD "vinculado" ao PKK, considerado uma organização terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia.

O embaixador dos EUA na Turquia, John Bass, foi convocado terça-feira ao ministério dos Negócios Estrangeiros para apresentar explicações pelas declarações do porta-voz do Departamento de Estado.

O Governo turco receia que o apoio dos Estados Unidos permita aos curdos da Síria, que já controlam no nordeste do país, na fronteira com a Turquia, o reforço da sua influência na região e as ambições de autonomia, extensíveis às regiões do sudeste da Turquia com maioria de população curda.

A Turquia define o PKK e o PYD como organizações terroristas, à semelhança dos 'jihadistas' do EI, que também são combatidos pelas forças curdas da Síria.

A Rússia, país com quem a Turquia mantém uma grave crise diplomática devido ao derrube em novembro de um bombardeiro russo na fronteira síria, também oferece apoio aéreo e assistência aos curdos da Síria.

Na segunda-feira, o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, disse que Washington não considera o PYD como terrorista e assegurou que os "combatentes curdos" são um importante parceiro na luta contra o EI.

"Nós não reconhecemos o PYD como uma organização terrorista. Reconhecemos que os turcos sim, e entendo-o", indicou Kirby, para acrescentar que nem sequer os melhores amigos "estão de acordo com tudo".