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A app que ajuda quem usa roupa provocante a evitar a polícia da moralidade

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No Irão, a polícia da moralidade pode parar, interrogar e até processar quem caminhar ao lado de um amigo do sexo oposto ou usar demasiada maquilhagem. A Gershad surgiu para fintar esta patrulha

Imagine que andava na rua acompanhado de um amigo do sexo oposto e era parado pela polícia. Tal como se de uma multa de velocidade, por exemplo, se tratasse, nesta situação hipotética o agente explicava-lhe que estava a cometer um delito proibido por lei - ainda pior se estivesse a usar demasiada maquilhagem ou a combinalção de roupa errada - e depois decidia se o encontro se resumiria apenas a um aviso ou até à abertura de um processo contra si.

Agora imagine que tudo isto era verdade. Bem-vindo ao Irão, país onde uma patrulha policial conhecida como Ershad se encarrega de vigiar se os princípios de moralidade enunciados na lei Sharia estão a ser cumpridos pela população. Continuando naquele exercício de imaginação: se lá estivesse, provavelmente iria querer arranjar forma de se escapar a estes controlos, como se estivesse a evitar os radares da polícia, certo?

Os jovens iranianos também e é este o ponto de partida para a criação da Gershad, a aplicação que está a fazer sucesso naquele país, como a BBC noticia. A ideia é alertar a população sobre os pontos em que a carrinha da Ershad pára sem aviso com o objetivo de vigiar quem por ali passa, como uma espécie de operação stop que investiga a roupa e o comportamento dos transeuntes, em vez de lhes pedir os documentos do carro ou de os fazer soprar no balão.

A Gershad vive da participação de uma comunidade que envia alertas quando é parada numa zona pela carrinha da Ershad. Quando há muitos avisos relativos ao mesmo local, a aplicação lança um alerta para essa zona, para que os utilizadores possam evitar passar por lá. Quando começam a diminuir esses avisos, o local volta a ser declarado livre de "perigo".

Os dados da aplicação, que está a criar debate nas redes sociais - uns dizem que é uma forma de protesto, outros um distúrbio que prejudica as atividades da polícia -, revelam que só em 2014 cerca de três milhões de pessoas receberam um aviso formal da Ershad e 18 mil chegaram mesmo a ser processadas.

Embora a interpretação do delito dependa de agente para agente, algumas das razões para se ser avisado, multado ou processado passam, nas mulheres, por usar demasiada maquilhagem ou roupas provocantes e, no caso dos homens, por vestir roupas "que estão na moda", explica a BBC. Caminhar ou conduzir ao lado de um amigo do sexo oposto também dá direito a interrogatório.