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Primárias dos EUA. O que precisa de saber sobre a votação no New Hampshire

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Darren McCollester

Depois de os eleitores do estado conservador do Iowa terem escolhido os seus candidatos no sistema de caucus, é a vez de o pequeno estado do New Hampshire ir hoje a votos

As coisas são relativamente mais simples no New Hampshire. Se no Iowa os delegados — que, nas convenções nacionais dos partidos republicano e democrata, irão dar votos a determinado candidato — são escolhidos através do intrincado sistema de caucus, no pequeno estado swing do Leste dos EUA a votação é mais direta, com cada eleitor a depositar um voto no candidato em quem mais se revê.

Os primeiros votos já foram depositados nas urnas espalhadas por cada cidade e terriola do New Hampshire às primeiras horas da madrugada desta terça-feira, na segunda etapa do longo processo de primárias norte-americanas que antecede a votação final de 8 de novembro — o dia em que os eleitores americanos vão às urnas eleger o próximo Presidente dos EUA.

Apesar de servirem de termómetro à tendência político-ideológica do eleitorado, e de ganharem redobrada importância por serem os primeiros dois estados a votar, as duas etapas das primárias norte-americanas no Iowa e New Hampshire não costumam ditar à partida o vencedor de cada partido. Nesse âmbito, a chamada Super Tuesday poderá ser considerada a etapa mais importante antes das convenções nacionais dos dois partidos norte-americanos.

Por essa razão é importante ter em atenção outros denominadores na votação de hoje no New Hampshire, sobretudo porque podem ser esses a dar nova forma à corrida presidencial.

O segundo lugar

Donald Trump e Bernie Sanders parecem ter a votação no papo, angariando elevadas intenções de votos nas sondagens que precederam as primárias de hoje no New Hampshire com vantagem suficiente sobre os rivais para alcançarem o primeiro lugar. Ainda assim, e tal como os caucuses do Iowa e primárias anteriores dos EUA já demonstraram, até essas previsões podem estar enganadas.

Considere-se, por exemplo, que embora Trump liderasse as sondagens para o Iowa, acabou por perder o primeiro lugar para o senador Ted Cruz. Ou até que, esta manhã, a CNN já noticiou que a primeira cidade a votar hoje no New Hampshire entregou a vitória republicana a John Kasich, que surgia em quarto lugar nas últimas sondagens antes destas primárias.

Posto isto, e porque a cada etapa o trigo vai sendo separado do joio, é importante dar atenção aos segundos lugares — sobretudo no lado republicano, onde há mais candidatos em disputa, todos eles a tentarem chamar a si próprios a verdadeira alternativa a Trump. Se Cruz, Marco Rubio, Kasich ou Bush conseguirem afastar-se da matilha e angaria mais de 5% dos votos nas primárias de hoje, esse trabalho fica facilitado. Da mesma forma que, se Hillary Clinton conseguir ficar próxima de Sanders num estado que é virtualmente o seu (o Vermont, pelo qual foi senador e muito querido entre a população, fica mesmo ali ao lado), poderá clamar que é a escolha óbvia do partido democrata e que nem na região de domínio de Sanders há confiança de que o seu "socialismo" seja a resposta aos problemas dos Estados Unidos.

A importância das sondagens

Se Trump ou Sanders falharem o primeiro lugar que as sondagens antecipam, haverá um terramoto e muitas réplicas entre os media e a opinião pública norte-americana, o que deverá baralhar ainda mais as contas a nove meses das Presidenciais.

Depois de os institutos de sondagens terem falhado em prever a vitória de Ted Cruz no Iowa — um estado conservador onde a igreja evangélica, pilar do senador, tem uma forte representação entre o eleitorado — a derrota dos líderes das corridas partidárias na segunda etapa das primárias só aumentará a desconfiança nas sondagens — o que, por conseguinte, tornará mais difícil fazer previsões e análises dos próximos eventos de campanha e das votações que ainda estão para vir.

Os independentes e as decisões tardias

É quase uma tradição no New Hampshire os eleitores só tomarem as suas decisões nos últimos dias que precedem a votação no estado. Isso não só contribui para a confusão das sondagens, como baralha a contagem de votos e os planos e estratégias dos candidatos no terreno. A juntar a isto, existem no estado cerca de 390 mil eleitores registados como independentes — daí ser considerado um estado swing, de redobrada importância no dia das eleições presidenciais. É um número mais elevado do que os que estão registados como democratas — 231 mil — ou republicanos — 262 mil — razão pela qual este conjunto demográfico terá um impacto redobrado nos resultados da votação de hoje.

Neste sentido, é igualmente importante considerar na equação o número de eleitores que vai sair de casa para votar. De acordo com estimativas do secretário de estado do New Hampshire, William Gardner, mais de 550 mil habitantes irão votar hoje, o que, a confirmar-se, será uma participação eleitoral histórica para o pequeno estado e uma potencial boa notícia para as surpresas desta corrida à Casa Branca — precisamente os candidatos que lideram as sondagens neste estado, Trump e Sanders.

Próximas desistências

Assim que as autoridades começarem a anunciar os resultados da votação de hoje (na madrugada de quarta-feira em Portugal), será de extrema importância prestar atenção aos candidatos que vão ficar pelo caminho. Depois dos caucuses no Iowa, Martin O'Malley aceitou a derrota e suspendeu a sua candidatura pelo partido democrata, da mesma forma que o libertário Rand Paul e o ex-senador da Pensilvânia Rick Santorum se juntaram ao antigo governador do Arkansas Mike Huckabee na lista de desistências entre os pré-candidatos republicanos.