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Donald Tusk acusa Rússia de ajudar o regime “assassino” de Assad

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IAN LANGSDON/ EPA

Donald Tusk referia-se à ofensiva lançada na semana passada sobre Alepo pelas forças do governo, apoiada por meios áreos russos, que obrigou centenas de milhares de pessoas a fugir da cidade até à fronteira com a Turquia. Angela Merkel declarou-se "horrorizada" com o sofrimento causado pelos ataques aéreos russos na Síria. São já cerca de 45 mil os refugiados sírios que se encontram na fronteira, sem saber o que lhes vai acontecer

Helena Bento

Jornalista

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, acusou esta terça-feira a Rússia de ajudar o regime "assassino" do Presidente sírio Bashar al-Assad, provocando novas vagas de refugiados. "As ações da Rússia na Síria estão a agravar ainda mais uma situação que já é muito grave. A campanha militar russa está a fazer com que o regime assassino de Assad ganhe terreno e a oposição síria moderada perca terreno, levando milhares de refugiados a fugir da Síria em direção à Turquia e à Europa", disse Donald Tusk, durante uma receção em Bruxelas ao novo primeiro-ministro da Georgia, Georgy Kvirikashvili.

Tusk referia-se à ofensiva lançada na semana passada sobre Alepo pelas forças do governo, apoiada por meios áreos russos, que obrigou centenas de milhares de pessoas a fugir da cidade, até à fronteira com a Turquia. O número de refugiados junto à fronteira ascende já a 45 mil e vai aumentar ainda mais, alerta a organização humanitária turca muçulmana IHH. Não podendo continuar a negar que está a apoiar Assad no combate às forças da oposição - as evidências são já demasiadas - o Kremlin continua, no entanto, sem admitir que os bombardeamentos russos tenham causado a morte a civis sírios.

Mas várias organizações não-governamentais têm apresentando números que provam precisamente o contrário. Numa entrevista há cerca de duas semanas à "Al-Jazeera", Bassam al-Ahmad, porta-voz da Violations Documentation Centre in Syria (VDC), uma organização que tem vindo a monitorizar o conflito na Síria desde o início da guerra civil no país, disse que pelo menos 1505 civis morreram desde que a Rússia começou a bombardear a Síria, em setembro do ano passado, incluindo 346 crianças. Desses 1505 apenas 47 eram combatentes, afirmou Bassam al-Ahmad. Já em dezembro do ano passado, a Amnistia Internacional divulgara um relatório sobre os ataques aéreos russos na Síria em que concluía que pelo menos 200 civis morreram durante os bombardeamentos.

Angela Merkel, que declarou-se "horrorizada" com o sofrimento causado pelos ataques aéreos russos na Síria, deslocou-se na segunda-feira a Ancara para saber como vai a Turquia aplicar o fundo de 3000 milhões de euros doados pela União Europeia para estancar o fluxo de refugiados e pediu para que esses milhões sejam entregues de forma rápida e sem burocracias. Mas a Turquia, que já acolheu 2,5 milhões de refugiados sírios, continua sem ter uma proposta concreta para apresentar. Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, o seu país já autorizou a entrada de 10 mil pessoas, mas além dessas suas declarações não há nada que prove que a Turquia abriu efetivamente portas a mais refugiados sírios. Até porque a zona da fronteira de Oncupinar, que liga a cidade turca de Kilis à estrada que leva à cidade síria de Alepo, continua encerrada.

Em Alepo, que antes da guerra civil era considerada o coração económico da Síria, permanecerão cerca de 300 mil pessoas, que podem vir a ter um destino semelhante ao de dezenas de habitantes de Madaya, que ao fim de meio ano cercados pelas forças do regime de Bashar al-Assad, acabaram por não resistir à fome.