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Internacional

Agência da ONU propõe limites às emissões de carbono dos aviões

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O avião, um Boeing 777-200LR/F, foi desviado para uma zona segura do Aeroporto Adolfo Suárez, em Barajas (Madrid).

ANDREA COMAS/Reuters

Depois de mais de seis anos de negociações, e de uma antecipada mas pouco produtiva Cimeira do Clima de Paris, agência das Nações Unidas para a Aviação apresenta limites a serem implementados até 2028

Mais de seis anos depois do início das negociações com o setor da aviação comercial em todo o mundo, a agência da ONU para a Aviação apresentou esta semana uma proposta para limitar as emissões de dióxido de carbono dos aviões — mais um numa série de esforços globais para combater as alterações climáticas e reduzir, em larga medida, a emissão de gases com efeito de estufa.

Anunciadas em Montreal, no Canadá, pela agência das Nações Unidas na segunda-feira, as medidas deverão ser totalmente implementadas até 2028 em todos os novos aparelhos de aviação produzidos a partir de 2020.

As companhias aéreas são, neste momento, responsáveis por 2% das emissões globais de carbono, o equivalente à produção de CO2 pela Alemanha. Mas de acordo com especialistas e reguladores, esse número poderá triplicar até meados deste século devido ao crescimento das viagens aéreas previsto para as próximas décadas, aponta o "New York Times".

Medidas e críticas

Uma das medidas propostas é a redução em 4% do combustível consumido por cada avião em velocidade cruzeiro em comparação com os níveis de 2015. Os aviões fabricados e/ou postos em circulação a partir de 2020 que não cumprirem este requisito até 2028 serão retirados de circulação, avisa a agência. Os limites apresentados pela Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO) não precisam de aprovação formal do conselho de aviação da organização, composto por 36 nações, para entrarem em vigor. Esta é a primeira vez que o setor da aviação é sujeito a limites de emissões como já acontece nos setores dos transportes terrestres e na indústria automóvel.

Ainda assim, os ambientalistas não estão satisfeitos com o acordo alcançado ao final de seis anos, criticando o facto de as medidas não se aplicarem aos aviões atualmente em uso. De acordo com o "New York Times", organizações de defesa do ambiente criticam o facto de o acordo ter sido desenhado pela própria indústria de aviação civil, classificando-o como fraco e pouco abrangente.

A confirmar-se a implementação das medidas propostas pela ICAO, espera-se que as emissões de dióxido de carbono pelos aviões sejam reduzidas em mais de 650 milhões de toneladas entre 2020 e 2040, o equivalente a retirar 140 milhões de carros de circulação por ano. Os números são da Casa Branca, que em comunicado aplaudiu o novo acordo de redução de emissões de carbono.

O anúncio pela ICAO surge dois meses depois da Cimeira do Clima de Paris, que ensombrada pelos atentados de novembro na capital francesa e pela visível falta de vontade de alguns líderes, resultou num acordo apressado para substituir o Protocolo de Quioto.