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Whatsapp, Twitter, Facebook? Nada disso - Telegram

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Há uma aplicação que se está a tornar um fenómeno no Irão. Tudo por causa da censura

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Esqueça o Facebook, Twitter e Whatsapp: no Irão, a aplicação que está a fazer sucesso entre os mais novos é o Telegram, e não é por ter o melhor design ou o funcionamento mais rápido. Num país onde os conteúdos online continuam a ser censurados, o Telegram pode ser a solução para quem quer comunicar de forma livre e segura, noticia o "Guardian".

A descrição do Telegram parece semelhante à do Snapchat: esta aplicação permite aos utilizadores transmitir conteúdos a um número ilimitado de pessoas, podendo mesmo usar canais públicos para o fazer. No entanto, o ponto forte no contexto iraniano é mesmo a forte proteção da identidade do utilizador.

A política de censura não pode ser atribuída ao Governo de Rouhani, que tem desde o início do mandato, em 2013, defendido a liberdade de expressão nas redes sociais e tem conseguido efetivamente promover reformas neste sentido. No entanto, nem tudo está nas mãos do presidente: apenas seis dos 13 membros do grupo de trabalho parlamentar que regula a Internet são apontados por Rouhani.

O mesmo acontece na televisão estatal, utilizada frequentemente por políticos que são pró-censura. Resta, assim, a opção do Telegram, que já foi instalada por cerca de 20 milhões de iranianos, superando os fãs do Whatsapp naquele país e, claro, os do Facebook e Twitter, uma vez que o acesso a estas redes está bloqueado no Irão.

A novidade é especialmente relevante numa altura em que o país se prepara para as próximas legislativas e em que é esperada uma invasão de propaganda na televisão estatal. Embora, como o "Guardian" relata, a app seja usada sobretudo para ler notícias e comunicar com piadas, também as mensagens de campanha poderão ser mais facilmente transmitidas sem censura aos utilizadores do Telegram.

A app está a chamar tanto a atenção dos iranianos que o grupo parlamentar que regula o acesso à internet no Irão já se reuniu para analisar o fenómeno, tendo por agora concluído que não há razões para a censurar.