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Martelly abandona presidência do Haiti sem sucessor à vista

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Crianças a caminho da escola em Port-au-Prince

Maria Ramos

Executivo e parlamento haitianos alcançam acordo para formar governo provisório com mandato de 120 dias, que deverá organizar ida às urnas a 24 de abril. Novo presidente eleito deverá tomar posse a 14 de maio

O anúncio chega carregado de simbolismo, não fosse o facto de hoje os haitianos assinalarem o 30.º aniversário da queda da ditadura do falecido presidente Jean-Claude Duvalier. Depois de, no domingo, o presidente do Haiti ter abandonado a presidência e de o executivo e o parlamento do país terem alcançado um acordo de governo provisório para resolverem a atual crise política, os haitianos preparam-se agora para conhecer o seu próximo chefe de Estado.

Com o seu mandato a chegar ao fim, e apesar de não ter havido segunda volta das eleições presidenciais — inicialmente prevista para 24 de janeiro mas suspensa devido a confrontos violentos nas ruas — Michel Martelly anunciou este fim-de-semana a saída do poder. No seu último discurso perante o Congresso Nacional, que agora tem a seu cargo a escolha de um governo provisório e a convocação de eleições, o homem que liderou o Haiti nos últimos cinco anos pediu unidade social para ultrapassar os atuais problemas políticos.

"Hoje é um dia difícil mas temos de estar unidos para enfrentar as dificuldades", declarou Martelly. "Somos um povo corajoso, honrado e com uma história importante para o mundo." O em breve ex-presidente do Haiti sublinhou ainda que o "caminho da violência", como a que se registou no rescaldo da primeira volta presidencial disputada a 25 de outubro, "não leva a nada".

Sob o acordo alcançado entre o executivo haitiano e o parlamento bicameral, o governo provisório estará em funções durante os próximos 120 dias e terá a seu cargo a convocatória de eleições para 24 de abril. O acordo estabelece ainda a escolha de um novo presidente "nos próximos dias" pelo Congresso Nacional.

A oposição votou contra este acordo, por não ver contempladas as suas exigências, entre elas a criação de uma comissão para investigar a alegada fraude eleitoral cometida durante a primeira volta das eleições e que gerou o atual impasse e os confrontos nas ruas. Nessa primeira volta, em outubro passado, Jovenel Moise, do partido haitiano Tet Kale (PHTK, partido no poder), foi quem obteve mais votos sob acusações de irregularidades. Jude Celestin, da Liga Alternativa para o Progresso e a Emancipação Haitiana (LAPEH, principal partido da oposoição) ficou em segundo lugar.