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EAU alinham-se com Arábia Saudita e Bahrein e dizem-se prontos para invadir a Síria

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Rashid bin Mohammed al Maktoum ao lado do pai, que é também vice-presidente e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos

GETTY

Monarquias árabes querem enviar tropas para o terreno na Síria. Regime de Assad já avisou que companhia não desejada será recambiada para fora do país “em caixões”

Os Emirados Árabe Unidos (EAU) deixaram claro, esta madrugada, que estão preparados para invadir a Síria para alegadamente combaterem o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), juntando-se a outras petromonarquias árabes como a Arábia Saudita e o Bahrein que recentemente demonstraram a sua vontade em enviarem tropas para o terreno na Síria.

"Não estamos a falar de milhares de soldados", ressaltou o ministro dos Negócios Estrangeiros dos EAU, Anwar Gargash, citado pela Reuters. "Estamos a falar de tropas no terreno que irão mostrar o caminho, que irão apoiar [outros grupos no terreno]. A nossa posição mantém-se e temos de ver de que forma as coisas progridem."

Na semana passada, a Arábia Saudita e o Bahrein tinham demonstrado a sua vontade em enviarem tropas para o terreno sírio no contexto de uma eventual intervenção militar norte-americana dentro da Síria, distinta da atual campanha de bombardeamentos aéreos contra bastiões do Daesh na região.

O regime de Bashar al-Assad avisou de imediato que não pretende autorizar a presença de tropas estrangeiras e que irá recambiá-las "em caixões" para os seus países de origem. "Que ninguém julgue que pode atacar a Síria ou violar a sua soberania porque garanto-vos que qualquer agressor voltará para o seu país dentro de um caixão de madeira", declarou no sábado o ministro sírio dos Negócios Estrangeiros, Walid Muallem. "Os sauditas deram a entender isso, mas não penso que tenham coragem suficiente para o fazer", acrescentou. "Mesmo que enviem tropas, serão definitivamente derrotados. Seria suicídio da parte deles."

As jogadas geopolíticas acontecem numa altura em que a situação no terreno piora cada vez, ao quinto ano de guerra civil síria e numa altura em que a Turquia, uma das principais portas de entrada dos refugiados na União Europeia, decidiu começar a fechar as suas fronteiras. Neste momento, mais de 45 mil pessoas estão presas na rota que as leva da cidade síria de Alepo para Kilis, uma das passagens fronteiriças da Turquia.