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E se a Barbie fosse muçulmana?

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Conta do Instagram que tem quase 20 mil seguidores abre caminhos novos para a Barbie – há elogios e críticas à proposta. O debate está lançado

Alberto Conceição

Instagram

Haneefa Adam, uma estudante de medicina nigeriana, tem sido alvo de atenções no Instagram depois de ter começado a partilhar, desde há umas semanas para cá, fotografias de uma Barbie a vestir hijab, a indumentária preconizada pela doutrina islâmica. Mas esta não é a boneca Barbie a que estamos habituados, com calças justas ou tops reduzidos, com cores vivas ou vestidos de alta costura. A “Hijarbie”, como lhe chamou a sua autora, veste-se de uma forma diferente.

Adam, de 24 anos, que terminou recentemente um mestrado em Farmacologia no Reino Unido, descreve a Hijarbie como uma boneca modesta que permite que raparigas muçulmanas se identifiquem com ela. “Tem raízes na minha identidade religiosa e cultural. A maneira de a Barbie se vestir é muito exposta e não há nada de errado com isso. Apenas quis poder dar uma outra perspetiva para raparigas muçulmanas como eu”, disse em declarações à CNN. “Nunca vi uma Barbie vestida com hijab, portanto decidi criar uma conta no Instagram em que vestia a Barbie com as roupa que eu própria fazia. Achei importante vestir uma boneca da mesma forma que eu me vestiria“, acrescentou. E foi assim que nasceu a Hijarbie

Instagram

A reação foi muito positiva. A conta atingiu já os 19,7 mil seguidores e Adam chegou até a receber encomendas de interessados em comprar as bonecas. Por outro lado, e apesar da popularidade da página, Adam recebeu também críticas de pessoas que acham que as mulheres muçulmanas que usam hijab são oprimidas e essa é uma ideia que deve ser combatida.

“Nós queremos tapar-nos e assim afirmar a nossa religião. Mas muitas mulheres não tapam o cabelo e isso não faz delas menos muçulmanas. Acho que esta é uma boa plataforma para tentar levar a cultura islâmica a todo o mundo e corrigir algumas ideias pré-concebidas que estão erradas”, disse Adam.

Esta não é a primeira vez que a figura da Barbie é utilizada para combater estereótipos ou para se aproximar aos padrões da realidade.

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