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Pentágono obrigado a divulgar fotografias de abusos a detidos

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As cerca de 200 fotografias, tiradas em prisões no Iraque e Afeganistão durante a era Bush, mostram sobretudo corpos marcados por cicatrizes, contusões e cortes. A União Americana pelas Liberdades Civis diz que as fotografias mais reveladoras não foram divulgadas

Helena Bento

Jornalista

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla inglesa), que desde 2003 tem lutado pela divulgação das fotografias de abusos a militares em prisões no Iraque e Afeganistão, conseguiu na sexta-feira uma grande vitória sobre o Pentágono, que resultou na divulgação de cerca de 200 fotografias de prisioneiros maltradados em prisões norte-americanas durante a era Bush.

Sem contexto, referência ao local em que foram tiradas ou ao tipo de abusos cometidos e em que circunstâncias, as fotografias mostram sobretudo corpos marcados por cicatrizes, contusões e cortes. Alex Abdo, um advogado da ACLU que acompanha o assunto há mais de uma década, considera que estas fotografias são, "provavelmente, as mais inócuas" do conjunto de cerca de 1800 fotografias que continuam por divulgar e que a associação acredita serem bem mais reveladoras.

Na posse do Pentágono, estarão ainda, garante a ACLU, uma fotografia que mostra uma mulher interrogadora a abusar sexualmente de um detido com o cabo de uma vassoura; uma fotografia de um civil, um agricultor, de mãos atadas atrás dos braços, depois de ter sido executado pelas tropas norte-americanas; e as imagens da autópsia a Dilawar, o conhecido afegão de 22 anos cuja morte aterradora (Dilawar foi pendurado no teto da sua cela pelos pulsos durante dias, e em 24 horas recebeu mais de 100 golpes violentos nas pernas) foi retratada no aclamado documentário "Táxi", de 2007, realizado por Alex Gibney.

Num comunicado divulgado na sexta-feira juntamente com as fotografias, o Pentágono faz saber que 65 elementos dos serviços prisioneiros (não discrimando entre guardas e interrogadores) foram "de alguma forma penalizados" no âmbito desta investigação.