Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Síria. Turquia fecha fronteira a 70 mil refugiados

  • 333

Spencer Platt/ Getty Images

Dezenas de milhares de pessoas estão em fuga para o país vizinho perante adensar dos bombardeamentos e combates em Aleppo

Um jornalista da Associated Press a cobrir a crise de refugiados no terreno garantiu, esta manhã, que a Turquia fechou a fronteira com a Síria na passagem de Kilis, onde dez mil pessoas se concentraram nos últimos dias ao tentarem fugir de intensos combates na província síria de Aleppo.

A notícia surge um dia depois de Ahmet Davutoglu, o primeiro-ministro turco, ter garantido na conferência internacional organizada esta quinta-feira em Londres que 70 mil de pessoas estão a deslocar-se em direção à Turquia, prestes a juntar-se a tantas outras que já chegaram à Europa nos últimos dois anos.

"Agora há dez mil pessoas às portas de Kilis [cidade turca na fronteira com a Síria] por causa dos bombardeamentos aéreos e ataques em Aleppo", declarou Davutoglu no encontro de líderes mundiais. "E entre 60 mil e 70 mil outras pessoas nos campos de refugiados no norte de Aleppo já começaram a mover-se para a Turquia", acrescentou o chefe do executivo turco. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos coloca a cifra de novas chegadas previstas em 40 mil pessoas.

Movimentações no terreno

Nas suas declarações, Davutoglu acusou a Rússia e o regime sírio de Bashar al-Assad de cometerem crimes de guerra, acusações que os dois países refutam. A Rússia tem estado a ajudar as forças de Bashar al-Assad com bombardeamentos aéreos contra bastiões do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), numa ação que continua a provocar a ira dos turcos.

Há poucos dias, o Ministério da Defesa da Rússia — uma das grandes aliadas do regime xiita alauíta de Assad — avançou que ataques levados a cabo no dia 1 de fevereiro destruiram 875 "objetos terroristas nas províncias de Aleppo, Latakia, Homs, Hama e Deir ez-Zor". De acordo com fontes no terreno, estes bombardeamentos permitiram ao exército sírio cortar a linha de fornecimento dos jihadistas do Daesh que fazia a ligação entre a Turquia e a cidade de Aleppo, uma das mais castigadas pela guerra civil de cinco anos.

Desde que o conflito começou em março de 2011, mais de 55 mil civis foram mortos e milhões de pessoas fugiram para os países vizinhos, cerca de 100 mil das quais continuaram caminho até à Europa, em busca de ajuda da União Europeia, que continua a tardar.