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Sanders e Clinton mostram as garras em debate intenso

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MIKE SEGAR / REUTERS

No debate mais aceso da campanha, os candidatos mais bem colocados à nomeação presidencial do Partido Democrata mostraram não ter vontade de repetir o empate técnico do Iwoa. Aos olhos um do outro, Bernie Sanders é “um idealista” e Hillary Clinton “representa o sistema”

George Washington, primeiro Presidente dos EUA, disse-o em 1799: “Um movimento ofensivo é muitas vezes o mais seguro, senão o único meio de defesa”. Dois séculos depois, Hillary Clinton e Bernie Sanders tentaram aplicar a máxima durante o debate entre candidatos presidenciais do Partido Democrata desta quinta-feira, o último antes do Estado do New Hampshire ir a votos.

No seu primeiro frente a frente depois da desistência de Martin O’Malley - “vítima” dos fracos resultados no Iowa -, Clinton e Sanders foram atrás do voto dos indecisos, não olhando a esforços para estabelecer diferenças.

O empate técnico no Iowa ainda está fresco na memória da dupla. A média das sondagens para New Hampshire dá vantagem a Sanders, com mais 22 pontos do que a rival. Ainda assim cada voto conta, já que o socialista precisa de um grande resultado neste estado para compensar outros em que as suas hipóteses serão mínimas.

A melhor defesa é um bom ataque

Com a necessidade de se distanciarem e marcarem o que os separa, surgiram os ataques diretos, habituais no Partido Republicano mas com menor escala do lado democrata. Aí, a conversa não foi muito diferente dos debates anteriores, com o socialista a colar Hillary aos interesses económicos de Wall Street. Os dois candidatos nunca se entenderam sobre o assunto e as acusações subiram de tom.

“Wall Street é uma fraude”, defendeu Sanders, aproveitando para relembrar as doações que a campanha da rival tem recebido provenientes dos grandes nomes da banca americana. Cansada deste argumento, Clinton não hesitou na hora da defesa. “Nunca mudei o meu sentido de voto por uma doação que tenha recebido. Está na hora de acabar com as acusações engenhosas que a sua campanha tem feito nas últimas semanas. Se tem algo a dizer, diga-o diretamente”.

O senador do Vermont afirmou ainda que a ex-secretária de Estado da administração Obama “representa o sistema”. A adversária teve resposta pronta: “[Sanders] deve ser a única pessoa que acusa alguém que tenta ser a primeira mulher Presidente dos EUA de representar o sistema”, argumentou Clinton numa das mais acesas trocas de palavras da noite.

Fora das questões económicas, a controversa questão da pena de morte também foi debatida. Enquanto a antiga primeira-dama da aprova a sanção, o seu opositor diz não acreditar na medida. Sobre o escândalo da cidade de Flint, cuja água foi envenenada com altos níveis de chumbo, ambos concordaram que o assunto deve ser resolvido. Mas Sanders vai mais longe e questiona se o mesmo teria acontecido numa cidade com menos minorias étnicas que Flint.

A arte da guerra na diplomacia

A verdade é que, apesar de tentarem distanciar-se, ambos não esquecem o “inimigo comum”. Por mais ataques que façam um contra o outro, Clinton e Sanders concordam que qualquer um deles “é melhor do que qualquer candidato do Partido Republicano”. O respeito é comum e nenhum exclui a hipótese de aceitar o outro como vice-presidente. “Se for a nomeada, Bernie Sanders será a primeira pessoa a quem ligarei”, promete Hillary.

Com a votação no New Hampshire a decorrer já na próxima terça-feira, torna-se tão importante ter em vista a nomeação como garantir o objetivo a longo prazo: mais um mandato democrata na Casa Branca. Espera-se por isso que os próximos frente a frente subam de tom, mas nunca sem descer ao nível pessoal que tem caraterizado as discussões republicanas.

Afinal, como qualquer candidatos decerto saberá, “a arte suprema da batalha é vencer o inimigo sem lutar.

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