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Internacional

ONU defende legalização do aborto em países afetados pelo zika

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MARIANA BAZO

Nações Unidas entendem que países que aconselharam mulheres a adiar gravidezes devem permitir o aborto e o acesso a meios contracetivos. No Brasil, já morreram cinco bebés com casos de microcefalia decorrentes da infeção

As Nações Unidas aconselham os países sul-americanos a permitirem que as mulheres grávidas infetadas pelo vírus zika possam abortar. O aviso foi feito esta sexta-feira, depois de vários desses países terem aconselhado as mulheres a deixarem possíveis gravidezes de parte até o surto acabar, noticia a AFP.

"Como é que podemos pedir a estas mulheres para não engravidarem, sem lhes oferecer a possibilidade de interromperem as suas gravidezes?", questionou a porta-voz da ONU Cecile Pouilly, falando aos jornalistas.

O chefe do braço da agência de Direitos Humanos das Nações Unidas, Zeid Ra'ad al-Hussein, também se manifestou para dizer que os alertas para que as mulheres evitem engravidar significam muito pouco nestas circunstâncias. "O conselho de alguns Governos para que as mulheres adiem gravidezes ignora a realidade de que muitas dessas mulheres e raparigas simplesmente não podem controlar quando e como ficam grávidas, especialmente em ambientes em que a violência sexual é tão comum", disse em comunicado citado pela AFP.

Por estas razões, prossegue a nota, "leis e políticas que restringem o acesso das mulheres a serviços de saúde acessíveis sem discriminação devem ser urgentemente revistas para assegurar o direito de todos à saúde".

Conforme a AFP relembra, muitos destes países são católicos e conservadores, tendo por isso leis muito restritivas no que toca ao aborto e aos métodos contracetivos.

Pelo menos cinco bebés morreram no Brasil

O zika é transmitido através da picada do mosquito aedes aegypti, também responsável pela propagação de dengue e febre amarela. No entanto, ao contrário destes vírus, o zika consegue atravessar a placenta e acaba por afetar o bebé quando ainda se encontra dentro do útero e alterar o seu desenvolvimento cerebral.

No Brasil, que atravessa desde maio de 2015 o maior surto de zika de que há registo, já morreram desde outubro cinco bebés devido a complicações decorrentes da microcefalia causada pelo vírus. Neste momento, confirma o Ministério da Saúde brasileiro, decorrem investigações para determinar se outras 44 mortes estarão relacionadas com o zika.

Esta segunda-feira, a Organização Mundial de Saúde declarou que o surto de zika se trata de uma "emergência de saúde global", prevendo que quatro milhões de pessoas possam ser infetadas pelo vírus este ano. E na quarta-feira surgiram mais más notícias: foi confirmado, no Texas, o primeiro caso de transmissão por via sexual, o que pode facilitar a disseminação do zika em grande escala.