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Governo de Merkel controla notícias, denuncia ex-diretor de canal público alemão

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A chanceler falou hoje ao ZDF, segundo canal da televisão alemã

Hannibal Hanschke/Reuters

Wolfgang Herles, que esteve ao leme da televisão pública ZDF, em Bona, entre 1987 e 1991, confirma a influência do governo alemão nas decisões editoriais do canal estatal

Um ex-diretor, já reformado, do canal público televisivo alemão ZDF, denunciou esta semana, num debate radiofónico, que o governo do país dá orientações muito específicas sobre a linha editorial que a estação deve seguir, a forma como determinados assuntos devem ser abordados e até sobre que assuntos devem ou não figurar no alinhamento dos noticiários.

Durante o evento, e questionado sobre se a população alemã perdeu a confiança nos media do país, Wolfgang Herles declarou: "O problema que temos — e falo agora do canal público — é a proximidade ao governo. Não só porque a secção de comentário está em linha com a grande coligação [CDU, da chanceler Angela Merkel, CSU e SPD], mas também porque somos totalmente engolidos pela agenda que a classe política delineia."

O facto de a declaração parecer um pouvo vaga levou o moderador do debate a pedir-lhe mais pormenores, ao que Herles respondeu diretamente: "Os tópicos em que nos concentramos são delineados pelo governo." Cada cidadão alemão paga 17,98 euris por mês para financiar a ZDF e a emissora-irmã ARD.

No ano passado, suspeitas semelhantes surgiram na Irlanda em relação à televisão pública do país, a RTÉ, com o jornal "Times" a denunciar que os jornalistas do canal são obrigados a enviar as perguntas que pretendem fazer a membros do governo para que os ministros definam a orientação e o conteúdo da conversa antes de esta ter lugar.