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Internacional

Igrejas australianas estão disponíveis para receber refugiados

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WILLIAM WEST

O Tribunal Constitucional australiano declarou constitucional o envio de requerentes de asilo para campos de refugiados na ilha de Nauru enquanto aguardam a conclusão do processo. Em consequência, dez igrejas anglicanas ofereceram abrigo aos candidatos.

Margarida Queirós

Dez igrejas anglicanas mostraram-se dispostas a receber refugiados enquanto estes esperam que os seus processos sejam analisados. Esta oferta vem no seguimento da decisão da justiça australiana que, na quarta-feira, considerou constitucional deportar 260 pessoas, entre as quais 37 crianças, para a ilha australiana de Nauru.

O padre anglicano de Brisbane, Dr. Peter Catt, disse que estas pessoas iriam provavelmente enfrentar uma situação muito traumática caso fossem deportadas. ''Isto vai contra a nossa fé e sentimo-nos obrigados a agir. Historicamente, as igrejas têm proporcionado abrigo àqueles que procuram refúgio de forças opressivas", reiterou em comunicado.

O ativista Ian Rintoul, porta-voz da Aliança de Ação pelos Refugiados, louvou o movimento ressalvando que este será puramente simbólico. Isto porque a maior parte dos refugiados encontra-se já em "centros de detenção". Só cerca de 30 pessoas irão conseguir usufruir do que a igreja anglicana oferece.

A Austrália tem intercetado todos os barcos que transportam requerentes de asilo ao seu território e levado as pessoas a bordo para a ilha de Nauru ou para a ilha de Manus, na Papua-Nova Guiné. Nos últimos dias, os australianos têm protestado contra esta decisão.

A oferta anglicana pressiona o ministro da Imigração, Peter Dutton, que declarou que as igrejas têm o direito de se mostrar contra a decisão do Tribunal Constitucional, mas não estão acima da lei. Garantiu que vão ''trabalhar individualmente em cada caso''.

Trauma Infantil

Entre os requerentes de asilo estão também crianças. A comissão australiana dos Direitos Humanos realizou um relatório junto das crianças que estão no ''centro de detenção'' de Wickham Point e concluiu que 95% mostram riscos de stress pós-traumático.

A ONU manifestou também preocupação em relação à decisão australiana e pediu ao ministro Peter Dutton para "cancelar a transferência de todos os indivíduos em causa para Nauru". Disse também à Australian Broadcasting Corp que ''1200 pessoas morreram afogadas, incluindo mulheres e crianças, e que as suas vozes nunca foram ouvidas.''

O Governo conservador sustenta que as suas políticas dissuadem os traficantes de seres humanos e permitem salvar vidas, ao reduzir as travessias de imigrantes ilegais em embarcações precárias.