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A Playboy 2.0 é mais tímida e muito Snapchat

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Remodelação da revista traz uma Playboy com um visual mais fresco (e com uma linguagem muito próxima do Snapchat) e atenuação dos nus frontais. Objetivo é apelar a uma audiência mais jovem para relançar a marca

Comecemos por esclarecer: não, a Playboy não deixou de publicar fotografias de mulheres nuas. Clarificado este ponto, confirma-se que a edição de março da icónica revista é uma espécie de número zero daquilo em que a Playboy pretende tornar-se, modernizando a sua imagem e conteúdo para apelar aos mais novos.

O “The New York Times” teve acesso em primeira mão às páginas desta Playboy 2.0 e explica: a nudez continua lá, mas é mais subtil, e os nus frontais que invadiam as páginas da revista desde a sua fundação, em 1953, foram definitivamente dispensados. Agora, a publicação quer renovar a sua imagem e atrair os leitores mais novos, consciente de que hoje em dia a Internet já lhes permite aceder a conteúdos bem mais explícitos.

A mudança de imagem é explicada pelo chefe de conteúdos da revista ao “New York Times”: “Há um ano e meio, relançámos o nosso website para ser seguro para aceder durante o horário de trabalho, e o tráfego aumentou 400%. A idade dos nossos leitores desceu de 47 para 30 anos”. E foi a prova de que a equipa precisava para começar a remodelação: “Isto mostrou que a marca ainda pode causar impacto”.

As páginas centrais desta edição, avança o jornal norte-americano, são ocupadas por uma fotografia de Dree Hemingway, uma tetraneta de Ernest Hemingay, em que a jovem esconde as partes mais íntimas com as duas mãos – uma espécie de metáfora para o novo conceito da própria Playboy, que é fiel às mulheres nuas (só que um bocadinho menos nuas). Já a capa é, como seria expectável, um apelo aos mais novos: a modelo que a protagoniza finge tirar uma selfie para a rede social Snapchat.

Uma mudança mais substancial - e estratégica, nos tempos que correm - é a de acabar com os retoques de Photoshop, dando às protagonistas das fotografias uma imagem realista que não invadia as páginas da revista há muito tempo. A nova estética é mais crua, menos preparada, mais real.

Os leitores também podem despedir-se do histórico slogan “Enterntainment for Men”, que desapareceu da capa, agora mais vazia e num estilo clean. Para ficar estão a já tradicional entrevista longa (neste caso com uma apresentadora da MSNBC, Rachel Maddow) e o ensaio de um escritor famoso (o norueguês Karl Ove Knausgård).