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Sánchez pede um mês para negociar “da esquerda à direita”

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Líder do PSOE dá início a negociações após Rei Felipe VI o incumbir de tentar formar governo. Rajoy ainda espera “fracasso socialista”, aponta o “El País”

Rajoy e Sánchez mantêm troca de acusações

Rajoy e Sánchez mantêm troca de acusações

PEDRO ARMESTRE/AFP/GETTY

Pedro Sánchez está investido na tentativa de formar um governo de coligação em Espanha a pedido do Rei Felipe VI de Espanha e, esta quarta-feira, prometeu que não irá "escolher uns em detrimento de outros" e que vai negociar "da esquerda à direita" para pôr fim ao impasse político no país, incluindo com o PP.

Na terça-feira ao final do dia, o líder dos socialistas espanhóis (PSOE) já tinha pedido aos partidos que abandonem os vetos para resolver um problema que não é partidário, antes um que afeta os milhões de espanhóis que estão sem governo desde que os conservadores do PP de Mariano Rajoy falharam a maioria absoluta nas eleições gerais de Dezembro. "A mudança não é património de nenhum partido político nem de nenhum líder, mas sim de milhões de cidadãos", referiu então Sánchez, pedindo "responsabilidade" a todos os partidos com assentos no Congresso.

Desde 20 de Dezembro que Rajoy, o anterior chefe do governo espanhol cujo partido obteve maior número de votos nas eleições, tentou sem sucesso formar um governo — o que motivou o pedido de Felipe VI ao socialista para que tente ele garantir uma coligação. Sánchez começa esta quarta-feira consultas que, garantiu já, vão passar pelo PP de Rajoy e pelas forças que apoiam a independência da Catalunha, ainda que não conte integrá-las numa eventual coligação. "Não quero o seu apoio, mas quero falar com eles para deixar claro que não estou de acordo com eles, que fique claro", disse, citado pelo "El País".

Rajoy continua a não abdicar da presidência do PP apesar de ter falhado a maioria absoluta nas eleições e, à falta dela, a formação de um governo multipartidário. Na terça-feira, quando o Rei incumbiu Sánchez de tentar formar uma coligação de governo, o líder dos conservadores assumiu que o partido não tem apoios para governar mas deixou claro que pretende manter-se ao leme do partido, antecipando um falhanço do PSOE. "Hoje não temos apoios claros mas vamos esperar pelo desenrolar dos acontecimentos", declarou citado pelo diário. "A minha opção e a do meu partido mantém-se e não renunciamos a apresentarmo-nos à investidura. Contudo, não tenho os apoios necessários porque o PSOE recusa-se a dialogar e não posso garantir a formação de um governo estável para Espanha."

Para o "El País", o cenário atual pode bem augurar o fim da carreira política de 34 anos do líder conservador. Para já, partidos minoritários como o Podemos ainda não fizeram saber se aceitarão uma eventual proposta de coligação apresentada por Sánchez. O centrista Cidadãos também não quebrou ainda o silêncio, ainda que há uma semana tenha declarado que não aceitará integrar uma coligação com o PSOE.