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Japão ameaça destruir míssil norte-coreano

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Kyodo / Reuters

Forças japonesas estão preparadas para abater míssil de longo alcance, que Pyongyang descreve como um satélite de observação terrestre com fins puramente científicos

A Coreia do Norte está a gerar, mais uma vez, alertas internacionais depois de ter anunciado o lançamento de um satélite, alegadamente para fins científicos. A comunidade internacional duvida das intenções de Pyongyang e o Japão já está a preparar os seus militares para abater o foguete norte-coreano se este “cair em território japonês”, reporta o diário britânico “The Guardian”.

De acordo com as informações transmitidas pela Coreia do Norte à Organização Marítima Internacional nesta quarta-feira, o lançamento do satélite de observação terrestre deverá acontecer entre 8 e 25 de fevereiro (sendo o dia 16 uma das datas preferidas pelo regime, uma vez que nesse dia se celebra o aniversário do pai do líder norte-coreano Kim Jong-un, Kim Joing-il).

No entanto, e embora Pyongyang insista que o lançamento terá fins exclusivamente civis, a comunidade internacional não está convencida e as suspeitas de que a Coreia do Norte esteja na verdade a fazer um teste de míssil balístico aumentam.

“Hoje o ministro da Defesa ordenou que este míssil seja destruído se se confirmar que vai cair em território japonês”, disse o mesmo governante, Gen Nakatani, em comunicado divulgado nesta quarta-feira. Aos jornalistas, Nakatani confirmou que serão tomadas “todas as medidas possíveis para estarmos prontos para lidar com qualquer eventualidade”.

O chefe do Governo japonês, Shinzo Abe, também falou no Parlamento para deixar um aviso à Coreia do Norte: “Se a Coreia do Norte insistir em realizar o lançamento será uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e uma grave provocação”, afirmou, defendendo que “a realidade é que se trata do lançamento de um míssil balístico”.

Coreia do Sul fala de “consequências dolorosas”

O Japão não é o único país que desconfia das intenções de Pyongyang. O primeiro-ministro japonês já anunciou que vai trabalhar em conjunto com os Estados Unidos e a Coreia do Sul para responder à Coreia do Norte.

As resoluções do Conselho de Segurança da ONU proíbem a Coreia do Norte de realizar testes nucleares e desenvolver a tecnologia de mísseis balísticos, havendo desde 2012 sanções previstas para responder a possíveis violações norte-coreanas. A presidência da Coreia do Sul, citada pelo “Guardian”, já assegurou que “se a Coreia do Norte concretizar o lançamento do míssil, a comunidade internacional vai garantir que o país sofre consequências dolorosas”.

Nos Estados Unidos, foi o porta-voz do departamento de Estado, John Kirby, que assegurou que a Coreia do Norte vai sofrer consequências se concretizar o lançamento anunciado: “O Conselho de Segurança das Nações Unidas precisa de mandar uma mensagem séria aos norte-coreanos”, disse, citado pelo “Guardian”.

Suposta bomba de hidrogénio não terá passado de uma provocação

A Coreia do Norte já conduziu uma operação semelhante em 2012, quando pôs em órbita um míssil de longo alcance, na altura “camuflado” de satélite de comunicações. Os norte-coreanos têm investido na construção aeroespacial, pretexto sob o qual os mísseis são construídos.

A Coreia do Norte fez soar alarmes na comunidade internacional no mês passado ao anunciar ter levado a cabo pela primeira vez um teste com uma bomba de hidrogénio. No entanto, os peritos duvidam da veracidade do anúncio, uma vez que os efeitos terão sido menores do que os esperados e poderão corresponder aos de um dispositivo de dimensões menores e menos poderosas.