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Ganhar o New Hampshire ou ir para casa? Não é bem assim

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Kasich abdicou do Iowa para ganhar o New Hampshire

Chip Somodevilla

Depois do caucus do Iowa, candidatos concentram-se no segundo estado a votar nas primárias partidárias antes das presidenciais de novembro. Donald Trump e Bernie Sanders lideram sondagens da segunda etapa

Kasich abdicou do Iowa para ganhar o New Hampshire

Kasich abdicou do Iowa para ganhar o New Hampshire

Chip Somodevilla

Em seis das últimas nove eleições presidenciais norte-americanas, as primárias republicanas no New Hampshire tiveram sempre resultados diferentes dos registados uma semana antes nos caucuses do Iowa. Daí que candidatos muito mal qualificados na primeira etapa das primárias segunda-feira estejam apostados em dar tudo no pequeno estado swing da costa leste.

É o caso de John Kasich, o governador do Ohio que com menos de 2% dos votos no Iowa não conseguiu eleger qualquer delegado eleitoral. Foi uma decisão calculada, que o levou para o New Hampshire ainda os rivais republicanos e democratas se batiam por eleitores no Midwest. "Se eu pensasse que [Donald Trump] é imparável", dizia no domingo o "único candidato republicano viável", "voltaria para o Ohio amanhã. Ele não é imparável e há um longo caminho a percorrer até à meta."

A sua opinião diverge das sondagens de intenção de voto no New Hampshire, que continuam a prever a vitória do milionário Trump na corrida republicana. Facto é que também no Iowa estava prevista uma vantagem minimamente confortável para o magnata de Nova Iorque, que acabou por ficar em segundo lugar (24,3%), ultrapassado por Ted Cruz (27,6%) e bem próximo do terceiro lugar, atribuído ao senador Marco Rubio (23,1%).

Previsões e imprevistos

Os três candidatos republicanos ficaram bem posicionados graças ao conservadorismo do Iowa e a algumas jogadas pouco éticas — por exemplo, membros da campanha de Cruz a convencerem os eleitores republicanos de que o médico Ben Carson tinha desistido da corrida antes da votação. Mas a próxima etapa, disputada a 9 de fevereiro, vai ser diferente. No New Hampshire o eleitorado é menos religioso e mais moderado, o que não deverá jogar a favor do incendiário Trump ou do evangélico Cruz.

É com isso que Kasich, o governador de New Jersey Chris Christie, Rubio e Jeb Bush, irmão do ex-Presidente George W. Bush e filho do antigo Presidente George H. W. Bush, contam — reverter o saldo de zero delegados eleitos registado no Iowa (no caso de Bush um delegado) e mandar uma mensagem ao resto do país de que a brincadeira Trump presidente chegou ao fim.

"Ninguém no país sabe quem eu sou", admitia Kasich numa pequena localidade do New Hampshire no domingo à noite, ainda o tiro de partida das primárias não tinha sido ouvido no Iowa. "Não sou um candidato celebridade. Não tive um programa nacional de televisão. Não vivi em Washington, ninguém me conhece. Saberemos na manhã de dia 10 se somos uma história. Se calhar vão ser forçados a desviar a atenção do Trumper e a falar sobre John Kasich."

"Os eleitores do New Hampshire relançam eleições", declarava nessa mesma noite Jeb Bush, o ex-governador da Florida, a cerca de 300 apoiantes em Concord. "É isso que vocês fazem. Esse relançamento começa hoje."

Neste momento, de acordo com uma sondagem do Boston Herald e da Universidade Franklin Pierce, Trump permanece o favorito no segundo estado a ir a votos, angariando 38% das intenções de voto, seguido de Ted Cruz com 13% e de Rubio e Bush com 10%. Uma outra sondagem recente, da CNN-WMUR-TV, faz previsões ligeiramente diferentes: Trump vence com 30% de votos, seguido de Cruz com 12%, Rubio 11%, Kasich com 9%, Christie com 8% e Bush com 6%. Kasich já chegou a estar em segundo lugar e até ao dia das votações, 9 de fevereiro, ainda muito pode mudar.

O mesmo se aplica aos candidatos democratas. Com Martin O'Malley fora da corrida e o inesperado empate com a "candidata do sistema" Hillary Clinton no Iowa (a vencedora elegeu 22 delegados, apenas mais um de avanço), o autodeclarado socialista Bernie Sanders tem no New Hampshire uma oportunidade de brilhar. As sondagens colocam-no bem à frente de Clinton, com analistas a apontarem que é quase como se Bernie estivesse em casa — durante vários anos foi senador pelo Vermont, estado vizinho do New Hampshire. Mas também isso pode mudar nos próximos seis dias. E se há alguma coisa que estas eleições presidenciais estão a provar, são as possibilidades de pouco ou nada vir a ser como dantes.