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David Cameron procura aprovação para o acordo de reforma com a UE

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Negociar é a palavra de ordem de David Cameron para conseguir o “sim” no referendo

NEIL MUNNS

O primeiro-ministro britânico procura ver aprovadas nos Parlamentos de Westminster e Estrasburgo as reformas negociadas com o Conselho Europeu

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Três anos depois de David Cameron ter querido renegociar o estatuto de membro da União Europeia do Reino Unido, o que resultou na marcação de um referendo, e - escreve o diário “Espresso” da revista “The Economist” - de ter passado dois anos e meio a evitar o assunto, o primeiro-ministro britânico alcançou esta terça-feira um acordo com a União Europeia.

Do encontro com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, Cameron trouxe reformas, que muitos classificam como ténues, entre as quais se conta uma concessão parcial nos benefícios dos trabalhadores migrantes. O primeiro-ministro chama “substanciais” às reformas, às quais um ministro não identificado chama simplesmente “uma confusão”, segundo a BBC.

Cameron enfrenta esta quarta-feira os deputados da Câmara dos Comuns. Downing Street declarou que os ministros concordaram em não contestar o chefe do Governo até que sejam assegurados os termos finais do acordo com a União.

Muitas reações na imprensa britânica não escondem a oposição ao alcançado por David Cameron nas negociações de Bruxelas. O presidente da Câmara de Londres, Boris Johnson, disse que Cameron “está a fazer o melhor de uma má negociação”, adiantando que seria preferível se o Reino Unido tivesse poderes para bloquear as leis da UE em vez de ter de depender do apoio dos outros Estados-membros para fazê-lo.

O “Financial Times” contraria esta tendência da opinião escrevendo esta quarta-feira que “apesar de todas as críticas”, David Cameron está “no caminho para assegurar uma negociação razoável para o Reino Unido”, acrescentando que o político tinha feito progressos em todas as áreas que pretende ver reformadas.

A pressão por parte dos conservadores eurocéticos faz-se sentir, escreve “The Guardian”, e houve quem mostrasse impaciência, mencionando a possibilidade de iniciar a campanha a favor do “não” à permanência na UE. Cameron declara que os ministos seriam livres de fazer campanha por qualquer dos lados da campanha, mas que o Governo teria de manter-se neutro.

O presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, manifestou o apoio da Comissão ao texto e declarou que o acordo proposto “é justo para o Reino Unido e para os outros 27 membros, assim como para o Parlamento Europeu”. Junckers sublinhou que o texto proposto pelo presidente do Concelho, Donald Tusk, reconhece que nem todos os membros da UE participam em todas as áreas da política europeia, beneficiando o Reino Unido de mais protocolos e exceções do que qualquer outro membro: “O acordo reconhece que o Reino Unido está agora no seu nível limite de integração. Ao mesmo tempo, esclarece que outros membros possam aprofundar a integração se assim o decidirem”.

Se tudo correr como previsto, o referendo terá lugar em junho e vencerá o “sim” à permanência na União, conclui “The Economist”.