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Cameron leva reformas da UE ao Parlamento para manter casamento

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Donald Tusk (esquerda) fala com o primeiro-ministro David Cameron (direita) no início de uma cimeira da União Europeia, em Bruxelas.

YVES HERMAN / REUTERS

Depois de vários dias de negociações com Donald Tusk, o primeiro-ministro britânico alcançou um compromisso que poderá reverter a vontade de referendar a permanência do Reino Unido no bloco europeu

Foram vários meses de uma espécie de chantagem que agora parece começar a gerar os frutos desejados. Depois de um fim de semana e início de semana de intensas negociações entre David Cameron e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o primeiro-ministro britânico prepara-se para levar a votação no Parlamento britânico um pacote de reformas da União Europeia (UE) alcançado com Tusk — num esforço para convencer os conservadores de que o Reino Unido, afinal, pode ficar no clube dos 28.

Para Cameron, as reformas negociadas com Tusk como condição para manter os britânicos na UE garantem uma "mudança substancial" ao nível do funcionamento do bloco, o que torna obsoleta a vontade de saída do Reino Unido. Mas para muitos membros do seu partido conservador (Tories), o acordo é "uma confusão"; estão céticos e não é certo que, durante os debates na Casa dos Comuns, apoiem o seu líder.

"Apesar de todo o criticismo", refere esta quarta-feira o "Financial Times", "Cameron parece bem encaminhado para assegurar um acordo razoável para a Grã-Bretanha. Em cada uma das áreas que pretende que sejam alvo de reformas, o primeiro-ministro alcançou progressos tangíveis", aponta o jornal.

Entre as reformas exigidas por Cameron ao longo de mais de um ano contam-se restrições à imigração, mais poder para os governos nacionais em detrimento das instituições europeias e menos regulação e intervenção do executivo central europeu na forma como os negócios são feitos. A par disso, o chefe do governo britânico exige mais proteção para os países da União que não integram a zona euro, como é o caso do Reino Unido.

Esta terça-feira, fontes do governo britânico avançaram que entre as cedências de Tusk a Cameron se inclui a atribuição inédita de poder de veto aos Estados-membros, para chumbarem decisões da Comissão Europeia contrárias aos seus interesses.

É esperado que esta quarta-feira Cameron faça a primeira apresentação do pacote de reformas aos deputados, numa tentativa de alcançar consenso antes da cimeira europeia de 18 e 19 de fevereiro, na qual as suas exigências serão debatidas pelos outros 27 estados-membros da UE. O chefe do governo britânico tem prometido levar a referendo a permanência do Reino Unido na União Europeia para tentar alcançar o pacote agora anunciado.

Ainda sem data marcada, é previsto que o plebiscito aconteça antes do final de 2017, com as sondagens mais recentes a preverem que uma maioria dos britânicos irá apoiar o chamado Brexit nas urnas.