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Sanders, que não quer o “dinheiro deles”, celebra “empate virtual”

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RICK WILKING / Reuters

A votação no Iowa, o primeiro teste das primárias norte-americanas, deu lugar a um empate do lado dos democratas. Hillary tem menos para celebrar que Sanders, que deixou recados aos interesses da classe milionária e de Wall Street

Com 95% dos recintos eleitorais escrutinados, Hillary Clinton contava com 49,89% dos apoios, enquanto Bernie Sanders tinha 49,59%, um empate técnico na disputa em Iowa que mantém Sanders na corrida à nomeação como candidato do Partido Democrata nas eleições presidenciais dos EUA deste ano.

O senador norte-americano do Vermont diz ter conseguido um “empate virtual” com a sua rival e favorita à nomeação democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, no caucus do Iowa. “Quero felicitar a secretária Clinton e a sua organização pela sua vigorosa campanha, bem como o governador O'Malley”, disse Sanders, dirigindo-se aos seus simpatizantes após conhecidos os resultados. Martin O'Malley, ex-governador de Maryland, anunciou a sua retirada da corrida presidencial após ter somado menos de 1% dos apoios.

“Quando penso no que aconteceu esta noite, penso que as pessoas de Iowa mandaram uma mensagem muito profunda ao ‘establishment’ político, económico e mediático. É demasiado tarde para as políticas e a economia do ‘establishment’”, afirmou Sanders, autoproclamado candidato presidencial socialista.

O senador independente voltou a colocar a desigualdade económica no centro do debate eleitoral e também se referiu aos restantes assuntos que têm guiado a sua agenda política, como o direito ao acesso gratuito ao ensino superior e à saúde, a regulação de Wall Street e a alteração do sistema de financiamento das campanhas políticas nos Estados Unidos.

“Não podemos continuar a ter uma sistema de financiamento de campanhas corrupto”, lamentou Sanders, ao recordar a influência que as grandes fortunas têm na vida política norte-americana.

“Recebemos nesta campanha 3,5 milhões de dólares [3,2 milhões de euros] de contribuições. A contribuição média foi de 27 dólares [24,8 euros], não representamos os interesses da classe milionária, de Wall Street. Não queremos o dinheiro deles”, afirmou, defendendo o seu modelo de campanha, assente em donativos de pequenos contribuintes particulares.

Por sua vez, Hillary Clinton recordou no final da noite as suas credenciais “progressistas”, quando tinha uma diferença inferior a um ponto percentual face ao seu principal rival, Bernie Sanders, no Iowa. “Sou uma progressista que consegue que as coisas se façam”, disse Clinton aos seus seguidores, ladeada pela filha, Chelsea, e pelo marido e ex-Presidente Bill Clinton.

Hillary evitou proclamar vitória em Iowa, mas "reconheceu ter dado um suspiro de alívio". No seu discurso, mais de campanha do que de celebração, Clinton agradeceu o apoio de Iowa, o pequeno estado onde foi dado o tiro de partida para o processo das primárias para eleger os candidatos à presidência dos Estados Unidos nas eleições de 8 de novembro.

Sobre as suas diferenças relativamente a Sanders e a contenda democrata, Clinton afirmou ser “raro” ter a oportunidade - como a que teve agora em Iowa - de uma “verdadeira luta de ideias”.