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Rei de Espanha encarrega o líder do PSOE de tentar formar Governo

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SERGIO PEREZ/ Reuters

Perante a dificuldade de Mariano Rajoy chegar a acordos, Filipe VI optou por dar uma oportunidade a Pedro Sánchez

O Rei de Espanha, Filipe VI, encarregou esta terça-feira o líder dos socialistas espanhóis, Pedro Sánchez, de tentar formar Governo. Perante a dificuldade de Mariano Rajoy conseguir reunir acordos que viabilizem um executivo, o monarca optou por não abrir novo período de reflexão para que os partidos encontrassem por si uma solução, e convidou o PSOE a assumir essa tarefa.

“Agradeço a confiança depositada em mim e no grupo parlamentar do PSOE pelo chefe de Estado [Felipe VI] e anuncio solenemente que vamos assumir essa responsabilidade e vamos tentar formar governo”, disse Sánchez numa conferência de imprensa no Congresso dos Deputados (parlamento espanhol).

Segundo o “El País”, Sánchez começará de imediato a desenvolver os contactos com vista a conseguir uma maioria parlamentar que garanta a formação de um Governo “reformista”, que garanta o “progresso”.

Para Sánchez, o PSOE “assume a sua responsabilidade para com Espanha e para que os espanhóis tenham um governo após mais de 40 dias decorridos desde as eleições gerais [a 20 de dezembro]”.

A ronda procurará reunir todas as formações políticas, incluindo o PP, de Mariano Rajoy.

“O Rei não me propôs hoje para formar Governo, mas não renuncio”, disse Rajoy, citado também pelo “El País”, no final da reunião de cerca de 50 minutos com o Rei. “Não tenho os apoios necessários porque o PSOE nega-se a dialogar e não consigo garantir já a constituição de um Governo estável para Espanha”, acrescentou.

A decisão de Filipe VI foi comunicada pelo presidente da Mesa do Congresso dos Deputados (parlamento espanhol), o socialista Patxi López, após uma segunda ronda de consultas entre o Rei e os líderes das formações partidárias com assento parlamentar.

Pedro Sánchez e o PSOE (com 90 deputados) terão de fazer acordos para chegar a uma maioria no parlamento que lhe permita contornar - numa primeira ou em votações sucessivas - um quase certo voto contrário do PP (123 deputados).

Sánchez acusa PP de não querer negociar

Sánchez transmitiu esta terça-feira ao Rei que os socialistas estão dispostos a formar governo caso o presidente do executivo em funções, Mariano Rajoy, renuncie a essa "obrigação".

"Desde o início do processo, o PP recusou negociar, renunciou a negociar com o conjunto das forças políticas e portanto, é a minha opinião, renunciou a apresentar um projeto politico para este pais", disse Sánchez no Congresso dos Deputados.

A 22 de janeiro, o rei de Espanha convidou Rajoy a formar Governo, mas o presidente do PP recusou o convite temporariamente, por considerar que não tinha os apoios necessários para ganhar uma votação de investidura no parlamento.

Sánchez, que classificou a decisão de Rajoy como um "exercício de escapismo politico", reafirmou que quer "desbloquear a situação" e que "o PSOE dará um passo em frente e tentará formar governo".

O líder socialista também comentou declarações dos líderes do partido da esquerda radical Podemos e do partido de direita Ciudadanos - que se excluem mutuamente num eventual acordo com o PSOE.

O líder do Podemos, Pablo Iglesias, afirma que Sánchez não pode fazer acordos com o seu partido e com o Ciudadanos, cujo líder, Albert Rivera, disse que não apoiará um governo que inclua o Podemos.

"Creio que a pergunta que Pablo Iglesias tem de responder, e também o resto das formações, é se dão apoio à mudança que pode ser liderada pelo PSOE ou se querem que o PP continue a governar mais quatro anos", disse Pedro Sánchez.

Impasse dura há mais de um mês

O impasse sobre quem governará Espanha mantém-se desde 20 de dezembro, dia das eleições gerais espanholas, que o PP ganhou sem maioria absoluta (123 deputados). O PSOE conseguiu 90 assentos e o Podemos outros 69.

A correlação de forças saída da votação indica que qualquer um dos partidos terá de fazer acordos pós-eleitorais para uma investidura e para formar governo.

O Podemos propôs ao PSOE um governo de coligação, pedindo a vice-presidência e pelo menos cinco ministérios, juntamente com o partido Izquierda Unida e o apoio de forças catalãs e bascas, mas os socialistas preferem um governo de cor única, com acordos de apoio parlamentar.

Várias fações regionais no PSOE exigem a Pedro Sánchez que deixe claro que renuncia a apoios de forças que defendem a independência de Catalunha ou País Basco. O líder do PSOE vai submeter os eventuais acordos a uma consulta à militância.