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Internacional

Refugiadas sírias vítimas de exploração e assédio sexual no Líbano

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Os casos de abuso poartem de quem quer que tenha poder, desde senhorios a empregadores, incluindo até agentes da polícia

MAHMOUD ZAYYAT/GETTY IMAGES

Relatório da Amnistia Internacional denuncia a situação precária em que vivem as mulheres e apela ao envolvimento e ajuda da comunidade internacional

No Líbano, onde 70% dos refugiados sírios vivem abaixo do limite de pobreza definido no país, as mulheres são o elo ainda mais fraco, vítimas das políticas discriminatórias que as tornam vulneráveis à exploração e a situações repetidas de assédio sexual. Segundo um relatório divulgado esta terça-feira pela Amnistia Internacional (AI) e que cita vários testemunhos sob anonimato, os casos de abuso poartem de quem quer que tenha poder, desde senhorios a empregadores, incluindo até agentes da polícia.

No documento “Quero um lugar seguro”: Mulheres refugiadas da Síria desenraizadas e desprotegidas no Líbano, a AI recorda que o total de refugiados sírios no Líbano ultrapassa um milhão e que duas em cada dez famílias são lideradas por mulheres, forçadas a esse estatuto pela viuvez ou pelo facto de os maridos terem sido sequestrados no seu país de origem.

A dificuldade em renovar as autorizações de residência, a que se soma a falta de financiamento internacional, determinam que as mulheres refugiadas vivam numa situação extremamente precária. É-lhes difícil aranjar emprego ou trabalham por salários irrisórios, sendo frequente receberemofertas de ajuda económica a troco de favores sexuais.

Medo de denunciar

O relatório cita o caso de uma mãe que proibiu as filhas de trabalhar, por medo de que sofram assédio, depois disso mesmo ter já acontecido com uma delas.

Como sublinha a AI, as condições que as tornam vulneráveis são as mesmas que lhes interditam a possibilidade de denunciar os delitos. Sem autorizações de residência, qualquer refugiado teme ser detido ou mesmo expulso do país.

“Os países mais ricos do mundo, desde a União Europeia, ao Reino Unido, passando pelos países do Golfo e pelos Estados Unidos, entre outros, têm de fazer mais para aliviar esta crise. Além de aumentar a ajuda humanitária para quem está na Síria e para a população refugiada na região, devem partilhar a responsabilidade, aceitando e realojando mais refugiados”, defende a investigadora Kathryn Ramsay.

O relatório surge na altura em que se prepara uma conferência de dadores para a Síria, prevista para quinta-feira em Londres.