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Internacional

Putin obriga Obama a reforçar orçamento da Defesa na Europa

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Os EUA pretendem reforçar a presença militar permanente no Leste da Europa para conter o “revanchismo russo”

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A administração Obama pretende reforçar a presença militar no Leste da Europa e deverá propor ao Congresso multiplicar por quatro a dotação para as forças norte-americanas a estacionar em países vizinhos da Rússia. Objetivo: controlar Putin

Os Estados Unidos querem reforçar consideravelmente a presença militar na Europa e para suportar a despesa com o envio de armamento pesado, como por exemplo veículos blindados, entre outro equipamento de guerra, pretendem gastar 3,4 mil milhões de dólares (3,1 mil milhões de euros) em 2017, só no “velho continente”. Isto é, quatro vezes mais do que têm inscrito no orçamento deste ano nesta zona do mundo, a saber, 789 milhões de dólares (726 milhões de euros). Objetivo: dissuadir futuras agressões da Rússia.

Segundo o diário “The New York Times”, que cita fontes da administração norte-americana, todos estes equipamentos, que poderão ser colocados na Hungria, Roménia e nos Estados bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia), poderão ser usados, não só pelos EUA, mas também pelas forças da NATO, garantindo uma presença constante no flanco Leste. As mesmas fontes disseram ainda que, caso seja necessário, serão os mesmos deslocados para o flanco Sul, apoiando o combate ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) ou à crise migratória.

“Não se trata de responder a algo que aconteceu na semana passada”, disse ao conceituado jornal norte-americano uma fonte do governo. “Trata-se de dar uma resposta de longo prazo a uma alteração no ambiente de segurança na Europa, que reflete uma nova situação onde a Rússia assumiu um papel mais complicado”, acrescentou.

General alerta para o “revanchismo russo”

Num relatório com data de outubro de 2015 onde analisa, precisamente, as alterações ao ambiente de segurança, o comandante das forças norte-americanas na Europa, general Philip Breedlove, classificou o “revanchismo russo” como uma das principais ameaça que norte-americanos e europeus enfrentam atualmente. Em seu entender, tal sentimento de vingança, associado à crise migratória, à presença de combatentes terroristas na Europa, aos ciberataques, aos efeitos da crise financeira e aos cortes nos orçamentos da Defesa, afetam a segurança e a estabilidade tanto na Europa como nos EUA.

O general Philip Breedlove lembra ainda que há vários anos que a presença militar norte-americana na Europa tem vindo a ser reduzida e que, atualmente, estão estacionados em permanência no “velho continente” menos de 65 mil homens e mulheres.

Para além do enorme reforço da dotação para as forças na Europa, a administração Obama deverá ainda pedir ao congresso sete mil milhões de dólares (6,4 mil milhões de euros) para combater o Daesh, o que significa um aumento de 35% para a operação em curso na Síria e no Iraque.

Em 2017, a proposta de orçamento para a Defesa prevê, no seu conjunto, uma despesa de 589 mil milhões de dólares (mais quatro mil milhões de dólares do que em 2016), aproximadamente 542 mil milhões de euros, que também serão empregues no desenvolvimento de um drone-espião (aeronave tripulada remotamente concebida para missões de vigilância), de um bombardeiro estratégico (entenda-se de longo alcance) e de um míssil nuclear submarino.

Em 2010, os Estados Unidos orçamentaram cerca de 700 mil milhões de dólares com a Defesa (644 mil milhões de euros). Apesar dos cortes, de acordo com o site EUObserver, despendem atualmente tanto neste sector como os 15 maiores orçamentos do mundo somados. França, Alemanha, Itália e Reino Unidos, em conjunto, gastam com as suas forças armadas 180 mil milhões de dólares (quase 166 mil milhões de euros) por ano. A China 215 mil milhões (198 mil milhões de euros), a Rússia 85 mil milhões (78 mil milhões de euros) e a Arábia Saudita 80 mil milhões (74 mil milhões de dólares).