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Internacional

Mais de 20 países reunidos em Roma para desenhar estratégia de liquidação do Daesh

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John Kerry, secretário de Estado dos EUA, ladeado, à sua esquerda, pelo ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Paolo Gentiloni, e à direita pelo enviado especial de Barack Obama para a Coligação de Combate ao Daesh, Brett McGurk, esta terça-feira, em Roma

Nicholas Kamm / Reuters

Além da cimeira em Itália, há uma outra em curso em Genebra - a Síria faz parte da discussão nos dois cenários. Oposição a Assad, que está na Suíça, já avisou: “Não estamos aqui para negociar, mas para testar as intenções do regime”

Margarida Mota

Jornalista

Discute-se esta terça-feira em Roma o fim do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh). Em Genebra, arrancaram oficialmente as conversações de paz sobre o conflito na Síria. As duas cimeiras são as faces de uma mesma moeda chamada “guerra na Síria”, que dura há quase cinco anos, já matou mais de 250 mil pessoas e forçou mais de 10 milhões a fugir de casa, e muitas delas do país.

Na capital italiana, 23 países membros da Coligação Global contra o Daesh discutem a estratégia de combate aos jiadistas na Síria e no Iraque e também formas de contrariar a ascensão do grupo extremista na Líbia.

Mais de quatro anos após a execução de Muammar Kadhafi, durante a Primavera Árabe, fações rivais continuam a disputar o poder, tornando o território cada vez mais vulnerável a grupos jiadistas.

Em dezembro, o Daesh declarou a cidade líbia de Sirte, na costa mediterrânica, a sua capital no norte de África.

A coligação anti-Daesh é liderada pelos Estados Unidos, que defendem que o Presidente Bashar al-Assad perdeu toda a legitimidade para continuar a governar o país. Washington admite, porém, que, nesta altura, o principal objetivo é refrear os avanços jiadistas. Em discussão estão, por exemplo, formas de estabilizar cidades como Tikrit, no Iraque, reconquistadas ao Daesh.

Segundo a agência Reuters, o Pentágono (sede do Departamento de Defesa dos EUA) vai pedir, no orçamento para 2017, um reforço de 35% da verba destinada ao combate ao Daesh, que deverá passar a rondar os 7000 milhões de dólares (6400 milhões de euros).

Uma vitória: todos estão a bordo

A reunião de Roma coincide com as conversações de paz sobre o conflito sírio, que arrancaram “oficialmente” na segunda-feira, muito a custo, na sede da ONU em Genebra. O enviado das Nações Unidas Staffan de Mistura reconheceu que as conversações serão “complicadas e difíceis”, mas que o povo sírio merece “ver algo concreto, para além de uma negociação longa e dolorosa”.

“O primeiro objetivo imediato é assegurar que as conversações continuam e que todos estarão a bordo”, disse o diplomata italo-sueco.

Governo e oposição estão representados à mesa do diálogo, mas, entre os opositores, não há confiança em relação a um desfecho positivo.

“Ficaremos aqui uns dias. Deixo claro que é por apenas uns dias”, disse o representante da oposição Monzer Makhous. “Se não houver progressos no terreno, vamos embora... Não estamos aqui para negociar, estamos para testar as intenções do regime.”

A oposição tem feito depender a sua participação em conversações que envolvam as autoridades de Damasco do fornecimento de assistência humanitária a populações sitiadas.

Na segunda-feira, a ONU anunciou que o regime sírio autorizou o envio de ajuda humanitária para Madaya, nos arredores de Damasco, que está cercada por forças de Assad.