Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Vitória de Aung San Suu Kyi firma-se hoje no Parlamento

  • 333

Myawaddy / Reuters

Centenas de deputados da Liga Nacional para a Democracia, que firmou 80% dos assentos em disputa nas eleições em novembro, iniciam primeira sessão parlamentar

Joana Azevedo Viana

O novo Parlamento de Myanmar (antiga Birmânia), dominado pela primeira vez em 50 anos por membros da Liga Nacional para a Democracia (LND) da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, entrou esta segunda-feira em funções e tem como prioridade escolher o próximo Presidente do país.

Depois da vitória estrondosa da LND em Novembro, que elegeu 80% dos assentos parlamentares em disputa, os deputados do histórico partido da oposição têm a seu cargo a dura tarefa de escolher alguém que represente os seus interesses no órgão legislativo do país — um que, sob a Constituição desenhada pela Junta Militar que dominou, continua a ter um quarto dos assentos sob tutela do Exército.

Apesar da vitória esmagadora da LND no final de 2015, o documento essencial da nação impede Suu Kyi, a líder do partido, de ser candidata à presidência. Preparada e alterada sucessivas vezes pelo governo apoiado pela Junta que assumiu o poder em 2011, a Constituição dita que nenhum birmanês com filhos de outras nacionalidades, como é o caso da opositora, pode ser Presidente do país.

Ainda antes das eleições, Suu Kyi já tinha prometido exercer influência no rumo do país através do próximo líder nomeado pelos deputados, dizendo na altura em que estará "acima do Presidente". A lista de candidatos à presidência continua bem guardada, havendo contudo suspeitas de que a LND vá apresentar o médico da líder como seu candidato oficial.

Thein Sein, o chefe do governo apoiado pela Junta, continua em funções até março e só em abril é que o novo governo da LND entra oficialmente em funções. O último governo eleito democraticamente na Birmânia foi deposto pelo Exército em 1982. Apesar da vitória do partido de Suu Kyi, que passou 15 anos em prisão domiciliária pelas críticas ao regime militar e pela defesa dos Direitos Humanos, a Junta continua a ocupar um quarto do Parlamento e a deter o controlo exclusivo das reformas da Magna Carta e de ministérios estratégicos como o da Defesa, do Interior e das Fronteiras.