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Reino Unido autoriza experiências genéticas em embriões humanos

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Getty Images

Cientistas britânicos têm luz verde para alterar geneticamente embriões humanos pela primeira vez. Continua a ser proibida a implantação de embriões modificados em úteros

Joana Azevedo Viana

Em abril do ano passado, a China chocou cientistas de todo o mundo ao anunciar as primeiras experiências genéticas em embriões humanos. Na demanda de encontrarem e isolarem genes responsáveis por gerarem doenças genéticas, cientistas chineses fizeram as primeiras experências com recurso à chamada ferramenta CRISPR em embriões anormais e incapazes de gerarem fetos saudáveis, embriões esses criados através de fertilização in vitro e obtidos em clínicas de procriação assistida.

O anúncio relançou o debate sobre a ética — ou falta dela — em torno da prática e a necessidade de serem impostos limites às novas técnicas de investigação genética. Uma realidade que deverá agora perder força com a decisão anunciada esta manhã no Reino Unido.

Pela primeira vez, os cientistas britânicos têm autorização para fazer testes genéticos em embriões humanos. A luz verde foi dada esta manhã pelo regulador britânico, a Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA), que autorizou uma equipa do Francis Crik Institute a utilizar a controversa técnica para tenter perceber-se o que provoca os abortos espontâneos. As experiências terão lugar nos primeiros sete dias da fertilização do óvulo e poderão começar ainda este ano. Será no entanto proibida a implantação de embriões geneticamente modificados num útero.

"Queremos muito entender que genes são necessários para que um embrião humano se desenvolva num bebé saudável", explica a médica britânica Kathy Niakan. "A razão pela qual isto é tão importante é porque os abortos espontâneos e a infertilidade, apesar de serem comuns, são mal compreendidos."

Quando a equipa de Junjiu Huang, da Universidade de Guangzhou, transformou a China no primeiro país do mundo a modificar geneticamente embriões humanos, duas das mais prominentes revistas científicas, a "Natura" e a "Science", recusaram-se a publicar os primeiros relatórios do estudo citando "objeções éticas". Um mês antes, em março de 2015, a "Nature" tinha pedido uma moratória à modificação genética de embriões humanos.