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Hollande pede para libertarem mulher que matou o marido após anos de maus-tratos

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CHARLES PLATIAU / Reuters

Presidente francês invoca uma “situação humana excecional”. Jacqueline Sauvage foi condenada a 10 anos de prisão após assassinar o marido - que abusou dela e dos quatro filhos durante décadas

Num ato inédito, François Hollande decidiu perdoar Jacqueline Sauvage, uma mulher que sofria de violência doméstica e que foi condenada a 10 anos de prisão após ter assassinado o marido.

“Dada a situação humana excecional, o presidente quis fazer todos os possíveis para [Jacqueline] Sauvage regressar à sua família o mais cedo possível”, anunciou a presidência francesa.

O perdão de Hollande acontece três dias depois de o presidente francês se ter reunido com as três filhas e os advogados de Jacqueline Sauvage. No final do ano, Sylvie, Carole e Fabienne Sauvage já tinham enviado uma carta para o Chefe de Estado gaulês.

“Senhor presidente, a nossa mãe sofreu toda a vida enquanto casada, vítima do nosso pai, um homem violento, tirano, perverso e incestuoso. Ela esteve em risco de morte depois de 47 anos diariamente ameaçada e agredida”, escreveram as filhas, numa carta enviada ao Eliseu no passado dia 22 de dezembro, apelando à sua libertação.

Foi em 2012 que Jacqueline disparou mortalmente três vezes sobre Norbert Marot - o companheiro de 47 anos -, que era alcóolico, depois de um dos filhos se ter suicidado. Durante décadas, a mulher e os quatro filhos foram alvo de abusos psicólogicos, físicos e sexuais.

Apesar de a defesa ter invocado legítima defesa, a mulher foi considerada culpada pela morte do marido em outubro de 2014. Em França, um crime só pode ser considerado legítima defesa se for proporcional e como resultado de uma agressão.

Durante estes anos, várias pessoas e instituições apelaram à libertação de Jacqueline, tendo sido assinada uma petição com mais de 400 mil assinaturas.