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Internacional

Castro inaugura em França nova etapa nas relações com o Ocidente

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Hollande foi o primeiro líder ocidental a dirigir-se a Cuba após fim do embargo imposto pelos EUA durante mais de meio século

ALAIN JOCARD

Paris recebe primeira visita oficial de um Presidente cubano em 21 anos. Em maio, Hollande foi o primeiro chefe de Estado ocidental a viajar até à ilha desde 1959

Quando François Hollande visitou Cuba em maio do ano passado, antecipando-se à restante União Europeia na normalização das relações com a ilha, o Presidente francês defendeu a suspensão do embargo económico imposto pelos Estados Unidos a Cuba ao longo de mais de meio século. Esse embargo, declarou na altura Hollande, "prejudicou muito" o desenvolvimento da ilha desde 1959. E é para inaugurar "uma nova etapa" nas relações bilaterais entre os dois países que Castro devolve a atenção, dando início esta segunda.feira a uma visita oficial de dois dias a França – a primeira de Castro a um país europeu desde que substituiu o irmão Fidel na presidência em 2006, salvo a visita ao Vaticano no início de maio.

Se a casa do Papa Francisco estava no topo da lista de destinos, com Raul Castro a querer agradecer-lhe pessoalmente a intermediação na retoma das relações com os Estados Unidos após mais de meio século de isolamento, não é surpreendente que a França esteja em segundo lugar. Em dezembro, precisamente um ano depois de oficializado o fim do divórcio forçado de Cuba com o Ocidente, o governo francês assumiu um papel central na negociação do perdão dos juros da dívida cubana aos credores internacionais, que ascendiam aos 7,8 mil milhões de euros. "As trocas bilaterais oferecem uma oportunidade", declarou então Hollande.

Foi, como é agora, o aproveitar desta janela de oportunidade: França privilegia Cuba pela enorme influência da ilha na restante América Latina e Castro aposta em França como alternativa às relações e trocas com a Venezuela, que atravessa uma profunda crise económica, apostando num dos seus dez principais parceiros económicos (180 milhões de euros de trocas anuais). "As trocas comerciais [com Cuba]", reforçou esta sexta-feira Matthias Fekl, o ministro francês do Comércio, "não estão à altura das nossas ambições". Para além do comércio, Paris prevê o reforço do investimento no turismo e no sector dos transportes.

Os Campos Elísios cobriram-se de bandeiras cubanas para marcar o início da visita de Raul Castro a Paris. O aperto de mão a Hollande acontece esta manhã sob o Arco do Triunfo, marcando a primeira visita de um Presidente cubano a França desde a de Fidel em 1995. Na terça-feira, Castro encontra-se com o primeiro-ministro francês Manuel Valls, com os presidentes da Assembleia Nacional e do Senado, com a presidente da Câmara de Paris, a socialista Anne Hidalgo, e com a diretora-geral da UNESCO Irina Bokova. Antecipa-se que a próxima visita oficial de Estado de Castro possa ser a Espanha, que em novembro também renegociou a dívida cubana de 186 milhões de euros.